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'Menos Que Nada' investiga universo da esquizofrenia

Filme do gaúcho Carlos Gerbase chega ao público pelo cinema e pela internet

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo,

19 Julho 2012 | 20h30

Pergunte a 11 entre 10 diretores de filmes de baixo orçamento. Eles vão dizer que se pode fazer um filme praticamente de graça, mas na hora de tentar colocá-lo nas salas o bicho vai pegar. A primeira coisa que um distribuidor pergunta é: quanto de dinheiro há para o lançamento? O gaúcho Carlos Gerbase tem tentado fugir a esse nó górdio que estrangula o cinema brasileiro e repete agora, com Menos Que Nada, a experiência de seu longa precedente, Três Fs.

"Guardo a data porque coincide com o ataque a Pearl Harbour, durante a 2.ª Guerra. Foi em 7 de dezembro de 2007. O filme estreou simultaneamente no cinema, na TV e na internet. Fizemos 2,3 mil espectadores nas salas e 135 mil na rede." Gerbase espera agora ampliar os números, até porque Menos Que Nada vai exibir uma qualidade técnica muito melhor para quem quiser vê-lo mesmo no laptop. "O filme foi feito com verba do concurso da Petrobrás para novas tecnologias e o Canal Brasil e o provedor Terra se associaram na finalização."

Menos Que Nada estreia nesta sexta-feira, 20, nessas diferentes plataformas e mídias. Gerbase segue fazendo história, mas e o filme? Menos Que Nada prossegue com um tema que, desde Tolerância e, depois, em Sal de Prata, vem atraindo o cineasta. Todos os seus filmes tratam da força da imaginação - que a advogada Maitê Proença usa para inocentar o marido do crime de que é acusado no primeiro e que confunde a atriz Camila Pitanga no segundo, quando ela começa a pensar que todos os roteiros que lhe oferecem contam a sua vida.

As personagens nos filmes anteriores de alguma forma controlavam a imaginação - o inconsciente? O protagonista de Menos Que Nada é dominado por ele. É internado como esquizofrênico. "Baseei-me numa história curta de Arthur Schnitzler, de apenas sete páginas. Foi um ponto de partida, do qual me distanciei", adverte o diretor. O personagem cria um mundo imaginário para realizar seu desejo por uma mulher casada. Gerbase filmou no Hospital São Pedro, a mais conhecida instituição de alienados mentais do Rio Grande do Sul. A unidade psiquiátrica não atende mais, mas muitos internos seguem residindo no local. Andavam pelo set, interagiam com os atores.

Gerbase é autor de um livro que sistematiza informações - métodos - de direção de atores para cinema. Ele escolheu seu elenco em 2010 - Felipe Kannenberg, Branca Messina, Maria Manoella e Rosane Mulholland, bem antes de ela fazer novela (Carrossel) no SBT. "Não selecionei ninguém como chamariz de público. Procurei os atores que me pareciam mais certos para os papéis e aqueles que teriam a agenda livre na época da filmagem. Não podia prever que a Rosane, cujo talento me impressionara em A Concepção (de José Eduardo Belmonte), ia estar na novela na época do lançamento." Gerbase ensaiou duas semanas com os atores. Discutiram esquizofrenia e arqueologia, dois temas fundamentais na trama.

Kannenberg e Branca frequentaram o São Pedro, para ter a ambiência interna no hospital, rebatizado como São Tomás de Aquino na ficção. Por que esse nome? "Substituí um santo pelo outro", diz o diretor, desautorizando elucubrações que incluam o médico da Igreja no entendimento de seu filme e personagens. Gerbase espera ter mais público com Menos Que Nada do que teve com Três Fs. Gostaria que o debate sobre plataformas e lançamento não desviasse o foco do filme, da história que quis contar. Para ele, é o que importa.

 

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