"Meninas Malvadas" dá aula de mau-caratismo

Meninas Malvadas, que estréia hoje, poderia ser melhor - se a roteirista Tina Fey, do Saturday Night Live, não amarelasse no fim, apelando para as mensagens edificantes que caracterizam a maior parte da produção teen de Hollywood. O interessante é o que ela diz no material de divulgação. "O filme é uma obra de ficção; se fosse documentário calcado na realidade, seria mais cruel." O filme faturou mais de US$ 80 milhões nos EUA, o que foi considerado surpreendente, pois não é uma superprodução, nem tem o perfil dos blockbusters que costumam arrebentar no verão americano. A origem do filme é o livro Queen Bees and Wannabees: Helping Your Daughter Survive Cliques, Gossips, Boyfriends and Other Realities of Adolescence, da consultora Rosalind Wiseman, um manual de ajuda para pais ansiosos por saber como ajudar os filhos - e as filhas, principalmente - a sobreviver na hostil e competitiva selva das escolas americanas. A atriz Lindsay Lohan, no papel da protagonista Cady, é a nova ídola teen dos americanos. Na abertura de Meninas Malvadas, os pais dão conselhos para a filhinha em seu primeiro dia na escola. Um movimento de câmera revela que Cady, na verdade, é uma adolescente que só está estreando na escola porque vivia na África com os pais antropólogos. Ela é a vítima perfeita para as disputas internas numa escola que parece microcosmo dos grandes problemas da sociedade. Os primeiros amigos de Cady na escola formam um par meio estranho - ele, assumidamente homossexual; ela, com fama de lésbica. Logo, num complexo mecanismo de infiltrar-se para combater, Cady passa a freqüentar um trio de patricinhas capazes de crueldades inomináveis para dominar os corações e as mentes da escola. O trio é formado por uma abelha-rainha e duas servidoras. Cady faz de tudo para derrubar a queen-bee e conquistar o ex-namorado que ela ainda tenta manter sob controle. Você ri das safadezas e do mau-caratismo dessas meninas malvadas, mas no fim predomina o moralismo.

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