Carlo Allegri/Reuters
Carlo Allegri/Reuters

Melissa McCarthy, veloz e furiosa em 'A Espiã que Sabia De Menos'

Atriz capta com humor a essência de seus heróis, James Bond e Jason Bourne

Elaine Guerini, Especial para o Estado

05 de junho de 2015 | 07h00

Los Angeles - Melissa McCarthy soube tirar partido da silhueta generosa (com mais de 100 quilos, distribuídos em 1m57 de altura) para vencer em Hollywood. “As mulheres que fogem do estereótipo de beleza e glamour no cinema também merecem ter com quem se identificar nas telas”, disse a atriz americana de 44 anos, ao tentar explicar a sua popularidade, principalmente depois de encarnar a dama de honra debochada de Missão Madrinha de Casamento. A performance rendeu a sua primeira indicação para o Oscar (de coadjuvante), em 2012. “Sempre gostei de fazer piada das mulheres perfeitas, magras e com o penteado impecável. Só não podia imaginar que um dia seria paga para fazer isso num set de filmagem”, contou, bem-humorada.

A situação descrita acima é uma das cenas de A Espiã Que Sabia de Menos, já em cartaz no Brasil. O thriller cômico de US$ 65 milhões é uma espécie de James Bond às avessas, lançando uma mulher comum, sem nenhuma habilidade prática nos meandros do mundo da espionagem, numa missão arriscada para combater o tráfico de armas. Trabalhando diante de um computador num porão, à sombra do agente vivido por Jude Law, a analista da CIA acima do peso e com problema de baixa estima de repente se vê no epicentro de intrigas, tiroteios e perseguições. “Sempre gostei dos filmes de 007 e de Jason Bourne, personagens que nem nos meus sonhos mais alucinantes pensei que pudesse parodiar”, contou, em entrevista ao Caderno 2, concedida no hotel Four Seasons.

A agente de primeira viagem é jogada em situações extremas, ela cai muitas vezes (até literalmente), mas acaba se levantando, sempre tirando sarro de si mesma. “Desde criança, aprendi a rir do meu jeito desajeitado e das minhas fraquezas, o que levo inconscientemente para o meu trabalho”, afirmou, lembrando que um dos seus melhores tombos não foi capturado pela câmera. “Quando a minha personagem coloca saltos altos para entrar despercebida numa festa, ninguém me avisou que o piso da sala tinha acabado de ser lustrado. Lógico que eu me esparramei pelo chão ao pisar no set pela primeira vez. Eu fui a primeira a gargalhar. E toda a equipe técnica também, apesar de eles tentarem disfarçar, por serem educados”, recordou, rindo.

Como a personagem acaba enviada à Europa, posando de turista americana indefesa, Melissa teve a oportunidade de brincar durante toda a filmagem com o guarda-roupa, a maquiagem e o cabelo. “Quando era menina, gostava de fingir que era outra pessoa, emprestando as roupas e os acessórios da minha mãe.” Como a ideia é fazer rir, claro que as suas transformações físicas são, conforme esperado, pouco lisonjeiras, incluindo perucas de cabelo enroladinho e trajes típicos de quem nunca teve noção de como se vestir. “Curiosamente, quase todas as personagens que interpreto são construídas com ajuda de peruca. Faço buscas pelas lojas especializadas e, assim que encontro a certa, mando uma foto usando a escolhida para Paul”, disse, referindo-se ao diretor Paul Feig.

Esta é terceira vez que Melissa é dirigida por Feig. A dupla iniciou a colaboração em Missão Madrinha de Casamento, filme que surpreendeu pelo reconhecimento entre os membros da Academia, na qual a comédia é historicamente tida como gênero inferior. Logo depois, eles filmaram juntos As Bem-armadas (2013) e, atualmente, já desenvolvem o quarto projeto: o “reboot” (reinício da franquia) de Os Caça-fantasmas, clássico dos anos 1980. A sacada aqui é justamente ressuscitar a série de filmes com um grupo de mulheres tomando o lugar que foi de Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson. Além de Melissa, entram em ação para combater o sobrenatural Kristen Wiig, Leslie Jones e Kate McKinnon. “Levou muito tempo, mas finalmente conseguimos demover o conceito equivocado de que as mulheres não são tão engraçadas quanto os homens”, acrescenta a atriz.

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