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Melhor filme do diretor, 'Nebraska' faz defesa das relações humanas

Viagem retratada no filme poderia ser uma descida ao inferno, mas é algo muito mais bonito

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

11 de fevereiro de 2014 | 19h47

Existe uma nova geração de diretores de Hollywood que se acha a tal. A própria crítica norte-americana está criando esses monstros. David O. Russell costuma ser comparado a Federico Fellini e ele não só acredita como deve se achar melhor que o grande autor italiano. No atual Festival de Berlim, em que Trapaça passou fora de concurso, mesmo quando não perguntado, Russel queria ter a palavra final de tudo. Alexander Payne também é um diretor supervalorizado, mas pelo menos é cinéfilo (como Martin Scorsese). Em Cannes, no ano passado, prestigiou várias sessões de Cannes Classics. E com certeza sabia reconhecer quem filma melhor que ele.

Sideways e Os Descendentes não eram tudo aquilo, para ganhar todas aquelas indicações para o Oscar. Nebraska concorre em cinco categorias. Em três, pelo menos, poderia ganhar e não haveria reclamação alguma - a fotografia em preto e branco de Phedon Papamichael é esplendorosa e as interpretações de Bruce Dern e June Squibb são impecáveis. Não devem ganhar - talvez a fotografia -, mas até mereciam.

O próprio filme é melhor que os anteriores de Payne, e isso não se deve só ao visual nem ao elenco. Há uma rara combinação de diálogos bem escritos (por Bob Nelson) e sutileza de realização que faz desse álbum de família uma obra densa e elegante. Payne conta que encarou seu filme como uma comédia, mas a gravidade do drama o manteve preso à realidade.

A travessia dos EUA de Montana para Nebraska permite a Ross Grant não apenas estabelecer laços mais profundos com seu pai Woody como intensificar a jornada de (auto)descoberta. Todo mundo zomba desse pai que, agora velho, quer ser um milionário. Ao mesmo tempo, como aves de rapina, falsos amigos e familiares cobram por supostas ajudas no passado. Poderia ser uma descida ao inferno. É algo muito mais bonito - uma afirmação do humano num mundo em que as relações tendem a ser esvaziadas.

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