Mel Gibson marca estréia de filme sobre Cristo

Finalmente Mel Gibson e clérigos de várias religiões poderão lavar as mãos da polêmica em torno do novo filme do diretor, A Paixão de Cristo. A partir de 25 de fevereiro de 2004, por sinal a quarta-feira de cinzas do ano que vem, é o público quem vai dizer se a história das últimas horas da vida de Jesus Cristo, na visão de Gibson, realmente culpa os judeus pela crucificação do fundador do Cristianismo. Esta tem sido a polêmica em torno de A Paixão de Cristo desde que Gibson começou a exibi-lo em sessões fechadas a clérigos, teólogos e estudiosos de várias religiões. Líderes judeus têm dito que o filme pode ressuscitar antigas acusações: a principal delas é a de que os judeus teriam sido responsáveis pela crucificação de Cristo. Em resposta, Gibson afirmou que seu filme veio para "inspirar, e não ofender". Além disso, defendeu a produção dizendo que se manteve na mais estrita fidelidade ao Novo Testamento. De fato, o filme agradou a católicos conservadores, que disseram que A Paixão de Cristo é uma poderosa visão sobre os momentos finais da vida de Jesus. A polêmica dificultou o caminho do filme: Gibson arcou do próprio bolso com os US$ 30 milhões para filmar. Agora, ele acertou com a empresa Newmarket Films a distribuição da fita nos Estados Unidos. Na Austrália e no Reino Unido, Gibson vai distribuir o filme por conta própria. Mel Gibson pertence a um grupo católico ultra-conservador que, entre outras posições radicais, não aceita a autoridade do Vaticano. O grupo é especialmente contra a declaração do Segundo Conselho do Vaticano, de 1965, que formalmente isentou de culpa os judeus pela crucificação de Cristo. Coerente à radicalidade de sua espécie de catolicismo, Gibson pôs os atores de seu filme para falar em latim, hebraico e aramaico. Em A Paixão de Cristo, Jim Cavaziel é Jesus e Monica Bellucci é Maria Madalena.

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