Mel Gibson exibe para poucos seu filme polêmico

Mel Gibson reuniu um seleto grupo de pessoas para exibir uma cópia de seu novo filme, o polêmico The Passion. Entre os convidados, comentaristas conservadores, religiosos cristãos e judeus que simpatizaram com a idéia do filme: contar, de forma que Gibson considera realista, a história dos últimos dias da vida de Jesus Cristo. Gibson, que pôs US$ 30 milhões do próprio bolso para produzir a fita, não convidou até agora ninguém que tenha discordado dos propósitos do filme. Mas estes são muito numerosos. Há quem pense que The Passion possa incitar o anti-semitismo. Gibson enviou cópias do roteiro a estudiosos de vários denominações religiosas antes de começar as filmagens. Uma professora de teologia que leu o script disse que o roteiro, como ela leu, reforça as acusações feitas por cristãos contra judeus de que teriam sido os judeus os culpados pela crucificação de Jesus. O diretor é membro de um grupo católico ultra-conservador que não aceita o Vaticano como condutor da Igreja Católica. Ele, no entanto, garantiu que a obra não se destina "a ofender, mas a inspirar". Há quem concorde com ele: o comentarista conservador Cal Thomas disse que o filme é "a versão desta história mais ajustada à verdade, perturbadora, realista e crua jamais filmada". Falado em latim e aramaico, o filme de Mel Gibson ainda não tem distribuidor. E é possível que não venha a ter, dependendo do conteúdo final e também daquilo que pode ser uma das maiores excentricidades da história do cinema: há boatos de que, mesmo com dois idiomas mortos, Gibson optaria por não legendar as cópias de The Passion.

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