Mel Gibson é convidado para se pronunciar no Yom Kippur

O rabino David Baron, do Templo das Artes, em Beverly Hills, importante sinagoga norte-americana, enviou uma carta a Mel Gibson convidando o ator e diretor para falar em seu templo no Yom Kippur (Dia do Perdão), comemoração sagrada judaica. Gibson disse impropérios anti-semitas para o policial James Mee do Departamento de Polícia de Los Angeles na última sexta-feira, quando foi preso por dirigir embriagado e em alta velocidade, em Malibu. Arrependido, reconheceu o erro e desculpou-se com a comunidade judaica."Eu gostaria de convidá-lo para falar para que você expresse à comunidade judaica seu remorso. Eu acredito que o Yom Kippur, o Dia do Perdão, é uma data bastante apropriada para isso", escreveu, na carta, David Baron, segundo publicou o site de entretenimento TMZ.com. "Na nossa fé, nós somos instruídos a perdoar quando a parte culpada pede desculpas com todo o coração", acrescentou o rabino. Baron, que esteve recentemente com o Papa Bento XVI, costuma convidar personalidades para falar nas comemorações do Yom Kippur. No ano passado, a senadora dos EUA Hillary Clinton falou em tom pessoal sobre a importância do perdão.O porta-voz de Gibson, Alan Nierob, confirmou que o ator recebeu o convite de Baron. "Tivemos respostas positivas desde que foi divulgado o (segundo) comunicado", disse Nierob, acrescentando que é muito cedo para dizer se o ator vai aceitar qualquer proposta para falar em público. O porta-voz revelou ainda que Gibson quer agendar conversas privadas com líderes da comunidade judaica. "Ele não quer se reparar rapidamente, não é isso que meu cliente deseja, está apenas começando o processo de recuperação". Diferentemente de Baron, outros líderes judaicos acreditam que ainda vai levar um tempo para a ferida cicatrizar. "Anti-semitismo não é algo que nasce em um dia e portanto não pode ser curado em um dia e muito menos através de um comunicado na imprensa", disse o rabino Marvin Hier do Centro Simon Wiesenthal em Los Angeles, que considerou o pedido de desculpas do ator apenas um primeiro passo. Para Hier, Gibson deve ler sobre o Holocausto e depois realizar atos de boa vontade, como visitar os campos de concentração nazistas na Alemanha. Para Abraham H. Foxman, diretor da Liga Contra a Difamação, o processo de recuperação de Gibson vai ser trabalhoso. "Você não pode simplesmente dizer ´não sou mais um viciado em bebidas alcoólicas´ assim como não pode dizer ´não sou mais um fanático´. Você precisa trabalhar duro para se curar, e pretendemos ajudá-lo", declarou.Mel Gibson se desculpou tarde demais, diz especialistaMel Gibson demorou demais para se desculpar segundo a opinião de Richard Levick, um especialista em celebridades. O ator reconheceu pela primeira vez que fez comentários anti-semitas para o policial James Mee do Departamento de Polícia de los Angeles - uma atitude que ameaça sua carreira e o lançamento de seu novo filme Apocalypto, em dezembro, no qual ele e os estúdios Disney investiram dezenas de milhares de dólares. A rede de televisão ABC cancelou a parceria com a empresa de Gibson para produzir uma minissérie sobre o Holocausto."As pessoas formam opinião nas primeiras 24 horas", disse Richard Levick, cujo escritório de advocacia em Washington representa várias celebridades. "Ele ficou constantemente atrás dos fatos e depois precisou se expor diante das pessoas. Sua atitude fez com que as pessoas presumissem que ele era anti-semita".Fama de anti-semitaA fama de anti-semita persegue Gibson desde 2004, quando dirigiu A Paixão de Cristo, que incomodou os judeus por mostrar que eles se sentiram injustamente retratados pelo seu papel na morte de Jesus. O fato assumiu maiores proporções após uma entrevista concedida pelo pai de Gibson, que disse que o Holocausto era uma ficção.O especialista Richard Levick diz que o filme se tornou um blockbuster apesar ou por causa da controvérsia e que esta era a grande chance de Gibson provar que ele não é uma pessoa fanática. Já o consultor de mídia, Michael Sands, viu no pedido de desculpas de Gibson uma saída cínica já que atribui ao álcool seu anti-semitismo.Para o veterano agente de celebridades, Michael Levine, existem quatro princípios básicos que uma celebridade deve seguir para enfrentar uma crise: rapidez, humildade, arrependimento e responsabilidade pessoal. "Se você conseguir essas quatro coisas, geralmente se sairá bem na América.Longo pedido de desculpasO ator e diretor Mel Gibson divulgou por meio de seu porta-voz Alan Nierob, nesta terça-feira, que não é fanático ou anti-semita e frisou que pediu desculpas a toda a comunidade judaica pelas palavras desprezíveis que pronunciou após ser preso. "Qualquer espécie de ódio vai contra meus princípios", disse. "Devo assumir a responsabilidade por minhas palavras e pedir desculpas diretamente àqueles que ficaram magoados e ofendidos por essas palavras", reafirmou. "Eu não quero apenas pedir desculpas", Gibson disse. "Eu gostaria de dar um passo adiante e me encontrar com líderes das comunidades judaicas para que juntos encontremos um caminho apropriado para curar as feridas", sugeriu o ator.O incidenteSegundo informou a polícia, o nível de álcool no sangue de Gibson no momento de sua detenção às 2h36 da última sexta-feira em Malibu, nos Estados Unidos, era de 0,12%, quando o limite legal é de 0,08%. Ele dirigia seu Lexus LS, onde foi encontrada uma garrafa de tequila, a mais de 140 quilômetros por hora, em um local onde o limite de velocidade era de 72 quilômetros por hora.Ao ser preso Gibson teria dito "Os judeus são responsáveis por todas as guerras do mundo". Os relatórios do Departamento de Polícia da cidade de Los Angeles contém declarações anti-semitas e impropérios ditos pelo ator.Gibson que é ator e diretor de cinema, ganhou um Oscar por Coração Valente (1995). O ator estrelou filmes como Máquina Mortífera, Mad Max, Do que as Mulheres Gostam e Homem Sem Rosto, entre outros. O último filme que dirigiu foi A Paixão do Cristo (2004). Atualmente conclui as filmagens de Apocalypto, produção que é rodada em dialeto maio.

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