Meio ambiente inspira festival de Goiás

A relação do homem com o meioambiente por meio da conservação (e destruição) de suaarquitetura é um dos pontos altos do 4.º Festival Internacionalde Cinema e Vídeo Ambiental, o Fica, que começa nesta quarta-feira, nacidade de Goiás, no interior goiano. Presidido pelo cineastaNelson Pereira dos Santos, o festival ganha força neste anodepois que uma enchente destruiu parte do importante acervocultural da cidade, recém-denominada patrimônio da humanidade. Além de comprovar a vitalidade da cidade, agorarecomposta, o Fica exibe exemplos de cultura ambiental. Écurioso, por exemplo, o média-metragem Gaudí na Favela, doespanhol Sergio Oksman, que conta a história de Estevão, umbrasileiro que mora em uma favela de São Paulo, que, apesar denunca ter conhecido a obra do arquiteto catalão Antoni Gaudí,construiu um barraco que é a pura expressão da arte doespanhol. Outro filme que promete ser um dos destaques dacompetição é o longa Filhos de Kosovo, do húngaro FerencMoldoványi. Filmado em preto-e-branco, o filme mostra o inícioda primavera do ano de 2000 na cidade de Kosovo. Apesar daluminosidade, a imagem mais forte é a da destruição em umterritório marcado pelo sofrimento. O tempo de paz é relembradopor cenas de arquivo, agora em cores. Uma destruição não tão incisiva mas igualmentepreocupante é a mostrada no curta-metragem Cem Árvores em SãoPaulo sem Árvores, de Fernando Mastrocolla. Da periferia dacidade, a partir do bairro de São Miguel Paulista, até o centro,o filme mostra como a capital paulista reduz seu espaço pelaquantidade de granito e cimento, que cada vez mais ocupam asáreas antes destinadas à vegetação. Já o palestino Azza El-Hassan, no média Tempo deNotícia, buscou captar com sua câmera cenas de paixão em meioa uma cidade em pleno conflito com os judeus. Os estrangeiros,aliás, não se preocuparam apenas com seus problemas. O suecoLars Westman documentou seu retorno a Goiânia 14 anos depois doacidente com o césio radiotivo, em Césio no Sangue. O mesmo tema inspirou Angelo Lima, autor deAmarelinha, sobre uma criança que brinca nas ruas de umbairro que é atingida pelo acidente radioativo. Um assuntoimportante que os documentaristas resistem em esquecer.

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