FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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'Meia-entrada é um instrumento elitista', diz diretor do Belas Artes sobre fim do benefício

André Sturm comentou sobre aprovação do projeto de lei que coloca um fim na meia-entrada para cinemas, shows e outros eventos

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2021 | 11h42

Depois da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovar na quarta-feira, 27, um projeto de lei que pretende acabar com a meia-entrada em cinemas, shows e outros eventos culturais e esportivos, empresários do setor cultural já começam a se movimentar. André Sturm,  presidente do Belas Artes Grupo, comemorou a aprovação. "É uma notícia extraordinária", disse o responsável pelo Cine Belas Artes ao Estado.

"A meia-entrada é um instrumento elitista, excludente, que faz o preço do ingresso ser muito mais alto do que deveria", comentou Sturm, ao ser questionado sobre a aprovação do projeto. "O que acontece em São Paulo, especificamente, é que 60% ou 70% dos ingressos são vendidos assim, aí os cinemas precisam multiplicar o preço final por dois. Por que o estudante paga meia-entrada e o motorista de Uber não?". 

No entanto, um dos problemas centrais do novo projeto de lei, assinado pelo deputado estadual Arthur do Val (Patriotas), é que há leis federais que garantem o acesso de idosos, deficientes e estudantes ao benefício. Para Sturm, é preciso encontrar uma solução para essa questão.  

"Tem que buscar a solução para que a lei seja aplicada, como talvez manter meia-entrada para idosos. Eu não me incomodo. O que me incomoda é a meia-entrada com a carteirinha. Isso é um absurdo, é um escândalo, tem que acabar. O problema é a natureza da lei. Não amplia o consumo, causa o inverso", disse.

Projeto de lei

No texto, assinado pelo deputado Arthur do Val (Patriotas), a ideia é que não haja diferenciação na venda de ingressos para todas categorias com direito ao benefício, como estudantes ou idosos.

Cinemas, shows, exposições, jogos em estádios e afins, dessa maneira, passariam a cobrar um preço único pelo ingresso. No texto de do Val, ele diz que a meia-entrada passaria a valer para "todas as pessoas com idades entre 0 e 99 anos" ao ser o preço padrão cobrado pelas bilheterias. No entanto, não há garantias do setor de que o valor dos ingressos seja reajustado.

Em entrevista ao Estadão, o deputado argumentou que "o tabelamento de preços em nenhum lugar do mundo funcionou".

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