Mega radicaliza com projeto de animação digital

Arnaldo Galvão carrega o estigma deter feito a única animação pornográfica do cinema brasileiro.Almas em Chamas tem variadas formas de sexo explícito, masnunca, em nenhum festival do qual participou (Brasília, Recife),o público se sentiu agredido pelas ousadias do diretor. Técnica,humor e criatividade são os segredos do sucesso de Galvão. Eleparticipa agora de outro projeto importante. Integra o núcleoMega Digital, criado pelo estúdio que começou trabalhando comsom e hoje diversificou sua linha de atuação, para lançar umproduto competitivo no mercado internacional. Laís Dias é apoderosa no Mega Digital. Exerce seu poder sem despotismo,incentivando uma numerosa (e entusiasmada) equipe que apronta,até o fim de novembro, o piloto de Extremers.Inicialmente, era Radicals, como continuam sechamando os personagens da animação. A história se passa nofuturo, num planeta dedicado aos esportes radicais e que écomandado por um mestre de grande força física e espiritual. Elese chama Yogi, nome que evoca imediatamente o personagem dasérie Guerra nas Estrelas, Yoda. Surgido em O ImpérioContra-Ataca, ele vive quietinho no seu planeta inóspito, masconsegue provar que a força que move o mundo é a imaginação. EmExtremers, Yogi é traído por seu assistente, Raptor, quedeseja tomar o poder, criando para isso um exército de robôs.Amigos e discípulos do mestre Yogi fogem e organizam aresistência numa ilha deserta.Essa é a trama, mas o importante no projeto é o conceitoe a tecnologia de ponta com a qual foi desenvolvido. Foi emabril deste ano que o Estúdio Mega chamou Laís para criar o MegaDigital. O estúdio já vinha trabalhando, com êxito, na produçãode imagens. Laís era sócia numa empresa de filmes publicitários,a Terracota. Foi cooptada pela direção da Mega para estruturar onovo departamento da empresa, com o desafio de criar conteúdos.A Mega prometeu dotar o Mega Digital de recursos avançados.Investiu R$ 500 mil só na infra-eatrutura indispensável paraproduzir Extremers.É um investimento caro, se você considerar que aanimação tem apenas 12 minutos. Mas a idéia é produzir uma sériee aí a Mega vai ter de continuar investindo na Mega Digital.Laís conta que Extremers fica pronto em menos de um mês. Aidéia era tentar imediatamente a sorte do curta como piloto desérie no mercado internacional, mas foi convencida de que eramelhor esperar até o Festival de Animação de Annecy, na França,em maio do ano que vem. É o maior evento de animação do mundo,recebendo produtos de todos os formatos; curtas, médias, longas,produções para TV e cinema. Em janeiro, a mesma equipe produz, atoque-de-caixa, mas com toda a energia de que seus integrantessão capazes, um outro produto, outro curta para mostrar emAnnecy.Não é fácil competir no mercado internacional, mas aMega, por meio da Mega Digital, quer mostrar que o Brasil estáaparelhado e acompanha os mais modernos avanços da computaçãográfica na área de conteúdos, podendo produzir animações deponta. Para Laís, o verdadeiro desafio é esse. Levar para Annecyum produto que não seja apenas tecnicamente bem-feito e atéavançado, mas que também conte uma história divertida eemocionante, capaz de atrair e sensibilizar o público de todo omundo. Para isso, foi fundamental a parceria com Arnaldo Galvão,com quem ela já havia trabalhado na primeira edição de CasteloRá-Tim-Bum, nos anos 80, e em Almas em Chamas.

Agencia Estado,

29 de outubro de 2001 | 15h20

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