Meg Ryan não resiste e reencarna a namoradinha

Nem com a chegada dos 40 anos, completados em novembro, Meg Ryan perdeu o jeito de menina. Talvez por isso a loira de olhos azuis, tipo mignon e gestos graciosos, seja tão requisitada para os papéis da mocinha que sofre por amor.Depois de fingir orgasmo em Harry e Sally, Feitos Um para o Outro,, de perseguir Tom Hanks em Sintonia de Amor e namorar online com o mesmo Hanks em Mensagem pra Você, a atriz parece não conseguir escapar do gênero. Presa à imagem que a fez despontar na meca do cinema, ela é a rainha da comédia romântica."Ainda não consegui mudar a percepção das pessoas a meu respeito. Elas sempre me vêem como essa coisinha meiga", diz Meg, que só reforça o título de "namoradinha da América" com seu novo longa-metragem. Em Kate & Leopold, com lançamento nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros, a atriz vive executiva desiludida no amor que se apaixona por duque inglês do século 19 (Hugh Jackman). Ao desembarcar em Nova York, trazido por máquina do tempo, o nobre prova que já não se fazem mais homens como antigamente."Admiro a maneira como Hugh retratou o cavalheirismo, como algo forte e masculino. Infelizmente, os homens de hoje associam boas maneiras à feminilidade", destaca a atriz, em entrevista à Agência Estado, concedida no hotel Four Seasons, de Beverly Hills. Foi durante as filmagens de Kate & Leopold que a estrela se divorciou de Dennis Quaid _ após se apaixonar por Russell Crowe, seu companheiro de set em Prova de Vida. "Como estou solteira de novo, agora só me dedico a meu filho (Jack, de 9 anos) e ao boxe."Quando Meg diz boxe, a atriz não se refere necessariamente ao esporte, mas ao novo projeto cinematográfico. Com Against the Ropes, com previsão de estréia em 2003, a queridinha de Hollywood promete finalmente quebrar as expectativas, levando às telas a história verídica de uma boxeadora. "Vou mostrar a luta de Jackie Kallen para sobreviver e vencer em um esporte dominado por homens. Desta vez, quebro de uma vez por todas a imagem de mocinha dócil." Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista. Agência Estado- O que o cineasta James Mangold precisou fazer para convencê-la a atuar em Kate & Leopold, mais uma comédia romântica?Meg Ryan - Quando ele me levou para passear de carro e colocou músicas de Elvis Costello, acabei cedendo (risos). É verdade que eu preciso dar um tempo no gênero. Mas ele foi tão convincente, tão articulado... Destacou que Kate & Leopold está mais para conto de fadas do que comédia romântica. Ainda dividiu sua visão do filme comigo, salientando aspectos que eu ainda não tinha notado. Como Kate McKay, a nova personagem, destoa de suas outras heroínas românticas?Gosto de seu contraste. Em casa, ela é uma mulher solitária e desiludida, enquanto é poderosa e bem-sucedida no trabalho. Sua vida está desequilibrada, um problema que afeta muitas mulheres da minha geração. Será que podemos mesmo ter tudo, vida profissional e pessoal? Mas será que dá certo? Gosto dessas questões que o filme levanta e da transformação de Kate, passando a seguir a lógica do coração e não mais a da razão.Você é romântica?Sou. Eu aprecio gestos românticos, mesmo que eles me deixem pouco à vontade por serem raros. Adoro quando Kate chora ao acordar e ver que Leopold (o personagem de Hugh Jackman) lhe preparou café da manhã. Como ela não está acostumada, não sabe o que fazer. Leopold é tão cavalheiro que a deixa desconcertada. Vê o cavalheirismo como uma qualidade rara nos homens de hoje?Principalmente nos EUA, onde as pessoas estão sempre ocupadas querendo conquistar coisas novas. Com nosso filho, por exemplo, eu e Dennis tentamos lhe passar boas maneiras. Mas, com tantas coisas que queremos ensinar, reconheço que sobra pouco tempo para falar sobre cavalheirismo.Qual a coisa mais romântica que você já fez?Para comemorar um aniversário de Dennis, mandei colocar uma faixa com "Parabéns" em um avião. Dennis estava no Texas, tocando com uma banda ao ar livre. Quando o avião passou, a multidão percebeu e todos cantaram "Parabéns a Você.Como você define uma noite romântica? Na minha atual condição, aposto em programas mais divertidos. Uma noite perfeita seria assistir a uma luta entre Lennox Lewis e Mike Tyson (risos). Você sempre foi fã de boxe ou descobriu o esporte agora que roda a cinebiografia de uma lutadora?Eu já havia assistido a lutas, mas só agora realmente mergulhei no universo. Por representar uma campeã de boxe, vou aos ginásios ver lutas, assisto pela TV, vejo vídeos e passo tempo com boxeadores. Ainda que o esporte seja bastante primitivo, descobri que assistir a lutas com as pessoas certas é muito divertido.Como você lidou com a imprensa no período de seu divórcio, quando sua vida pessoal foi parar nas páginas dos jornais? Foi muito doloroso. Ao consultar os meus advogados, descobri que poderia processar vários veículos. Mas levar o caso à Justiça não melhoraria a situação. Só esticaria o assunto. Dennis e eu chegamos à conclusão que, como não falaríamos abertamente sobre o nosso divórcio, a imprensa acabaria especulando mesmo. Como isso faz parte do jogo, resolvi não dar mais bola.Qual o maior equívoco da mídia a seu respeito?Não sei dizer, já que atualmente procuro não saber o que as pessoas pensam de mim.O assédio da mídia por causa do divórcio a deixou mais reclusa? Eu normalmente fico no meu canto. Não sou muito social. Mas gosto de viajar.Se pudesse viajar no tempo, como o personagem de Hugh Jackman, que época escolheria?Gostaria de visitar Paris nos anos 20 ou a Grécia Antiga.Talvez em busca de romance?Nãaaaao (risos).

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