Ruy Guerra
Ruy Guerra

'Me Chame Pelo Meu Nome' e documentário 'Saudade' estão nas estreias da semana; confira os filmes

Confira informações sobre os filmes que entram em cartaz no Brasil nesta quinta-feiram 18

O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2018 | 06h01

‘Saudade’

(Brasil, 2017, 77 min.). 

Direção de Paulo Caldas.

Luiz Zanin Oricchio - Sempre se disse que a palavra “saudade” era privativa da língua portuguesa, nosso tesouro oculto. Não só a palavra, mas o conceito mesmo. O cineasta Paulo Caldas resolveu tirar a limpo esse mito nacional. Claro, o filme só poderia se chamar Saudade e tenta aclarar o que compõe esse sentimento, entrevistando uma série pessoas do universo luso-brasileiro. As quase 300 horas de entrevistas gravadas redundam no formato híbrido de longa-metragem para cinema e série para o Canal Arte 1, que entra como coprodutor. 

Escritores, poetas, cineastas, filólogos e filósofos dão seus pitacos sobre essa indefinível sensação de banzo que nos caracteriza (mas será que é assim mesmo?). A saudade remete a algo perdido, por isso se confunde com a nostalgia, pois esta olha sempre para o passado. O saudosista também não é muito benquisto nos dias que correm. A palavra refere-se àquela pessoa para a qual o melhor da vida já passou, já foi, já era e afunda-se nas brumas do antanho. 

Mas, para nossa surpresa, nem sempre a palavra desperta conotações negativas. Para o historiador Durval Muniz, a saudade é algo ontológico, o nosso suspiro diante do Paraíso perdido. O escritor Braulio Tavares entende que é impossível para uma pessoa situar-se na vida sem, em alguma medida, remeter-se ao que já foi; quer dizer, ao que já não é mais, mas foi um dia para que ela seja quem é no presente. Portanto, conclui, alguém sem passado seria como uma casa sem alicerces. Frágil, prestes a desabar diante de qualquer intempérie. 

Desse modo, a saudade não se comporia apenas do seu negativo – o luto pelo que não volta mais – mas pelo seu positivo, um esteio para enfrentar o desconhecido e seus desafios. Não é apenas paralisante, como temem os que só creem nas promessas do futuro, mas antídoto para o eterno presente, a alienante mitologia do nosso tempo. Sem passado e sem futuro, vivemos no eterno hoje das redes sociais. Um pouco de saudade não faz mal a ninguém, como nos lembra esse belo filme. 

 


Me Chame pelo Seu Nome / Call Me By Your Name 

(Brasil-EUA-França-Itália/2017, 131 min.). Dir. Luca Guadagnino. Com Armie Hammer, Timothée Chalamet, Michael Stuhlbarg. 

Luiz Carlos Merten - Nos últimos anos, o prêmio independente Gotham tem sido indicativo do Oscar. Ganha o primeiro, leva o segundo. Venceu este ano Me Chame pelo Seu Nome, de Luca Guadagnino, que também foi indicado para o Globo de Ouro. A Associação dos Correspondentes Estrangeiros preferiu fortalecer a luta das mulheres. Ignorou o gay. Me Chame é sobre a atração de um garoto italiano por um estudante norte-americano de seu pai, um erudito que acolhe o estrangeiro na residência de verão da família, no norte da Itália.

Me Chame pelo Seu Nome nasceu como projeto de James Ivory, adaptado do livro de André Aciman. Ivory caiu fora, assumiu Guadagnino. Produtor do filme, o brasileiro Rodrigo Teixeira convenceu o diretor a dar o papel do gringo a Armie Hammer. Timothée Chalamet é o garoto. Venceu o Gotham de ator, foi indicado para o Globo e é muito provável que vá para o Oscar. Para sua informação: Pedro Almodóvar escolheu Me Chame como filme do ano e Timothée como revelação... Da década!

Correndo Atrás de um Pai / Father Figures 

(EUA/2017, 113 min.). Dir. Lawrence Sher. Com Owen Wilson, Ed Helms, J.K. Simmons, Glenn Close. 

Kyle (Owen Wilson) e seu irmão gêmeo, Peter (Ed Helms), sempre acreditaram que o pai havia morrido. Isso até descobrirem que a mãe, excêntrica, mentiu para eles a vida inteira. Aos 40 anos, os irmãos iniciam uma busca pelos EUA que causará reviravolta em suas vidas. Para descobrir o paradeiro do pai biológico, provocam confusões enquanto abordam estranhos que se relacionaram com sua mãe no passado. A mãe dos gêmeos é interpretada pela atriz Glenn Close. O diretor de fotografia Lawrence Sher faz sua estreia na direção.

Os Iniciados / The Wound 

(África do Sul-Alemanha-França-Holanda/2017, 88 min.).  Dir. John Trengove. Com  Nakhane Touré, Bongile  Mantsai, Niza Jay Ncoyini. 

Os Iniciados, de John Trengove, é um interessante filme sul-africano, raridade no circuito. Trata da iniciação de adolescentes de etnia Xhosa, que consiste em circuncisão e isolamento por determinado período. É um rito de passagem para a idade adulta, no qual os garotos recebem assistência de auxiliares. Longe de se limitar ao caráter etnográfico, o filme trata de questões como o choque entre garotos do campo e da cidade. Aborda também a questão da homossexualidade, tratada neste filme de belas imagens e aspereza temática. / L.Z.O

Sobrenatural:  A Última Chave / Insidious: The Last Key 

(EUA/2017, 104 min.)Dir. Adam Robitel. Com Lin Shaye, Leigh Whannell, Angus Sampson.

Quarto filme da assustadora franquia, Sobrenatural: A Última Chave traz de volta à série a parapsicóloga Elise Rainier, interpretada por Lin Shaye, que está sendo requisitada para tentar solucionar um misterioso caso no Novo México. Trata-se de uma assombração que está aterrorizando as pessoas do local, mas não é só isso: essa casa é a mesma em que a doutora Elise passou sua infância. Agora o assunto é com ela, algo muito pessoal, pois a médium terá de enfrentar os seus próprios fantasmas, aqueles escondidos no fundo de sua alma. 

Gaby Estrella 

(Brasil/2017, 94 min.)Dir. Claudio Boeckel. Com Maitê Padilha, Bárbara Maia, Luiza Prochet. 

Sucesso na TV fechada, Gaby Estrella ganha agora o próprio filme, com direção de Cláudio Boeckel. A cantora teen que dá nome ao longa-metragem – interpretada novamente por Maitê Padilha – está perdendo espaço no cenário da música para sua concorrente, Natasha (Luiza Prochet). Para conseguir retornar ao topo das paradas, a garota precisa voltar às suas origens na cidade de interior Vale Mirim. Lá, Gaby tem de se acostumar de novo com a vida na fazenda, além de enfrentar as artimanhas de sua prima, Rita de Cássia (Bárbara Maia). 

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