Matt Dillon batiza peixe-boi em Manaus

"Foi a melhor coisa que fiz desde que cheguei. Não imaginava que seria tão incrível. E tão fácil ao mesmo tempo. Fiz o máximo que eu pude fazer por uma causa justa fazendo o mínimo", dizia um encantando Matt Dillon ao fim de um longo dia em que, entre uma volta de um hotel de selva e entrevistas e uma homenagem oficial durante o 3 Amazonas Film Festival, em Manaus, batizou um peixe-boi. Melhor, ´uma´ peixe-boi de apenas seis meses. Órfão, o animal foi levado para o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), onde foi acolhido em um viveiro especial e, na terça, ganhou o padrinho "de gala". O "evento" contou com a presença de ávidas emissoras de TV, jornalistas, do secretário de Cultura do Amazonas, Robério Braga, e de Adalberto Luiz Val, diretor do Inpa. "Pensei em chamá-la de Matilda ou Betty, mas acabei decidindo por um nome indígena, que tem muito mais a dizer sobre a luta pela preservação desta espécie tão ameaçada", comentou o ator americano, após batizar o animalzinho de Mawa, que no dialeto dos índios waimiri-atroari significa mito. A agitação era tanta que Mauá, assustada, preferiu ficar sem a mamadeira e não deu o ar de sua graça para o novo padrinho.Matt Dillon não se deu por vencido e saiu satisfeito em "apenas" ter escolhido o nome de Mawa. Aliás, o ator está literalmente a passeio pelo festival. Você pode se perguntar, por que homenageá-lo? "Porque sim" será a melhor resposta em um festival que prima por chamar a atenção de personalidades do cinema mundial, não só para a causa do cinema nacional, mas, antes de tudo, a "causa da preservação da Amazônia". Críticas à parte, nomes como Dillon, Bill Pullman (de Querida Wendy), Barry Pepper ( de À Espera de um Milagre) e Irvin Kershner (de Star Wars - O Império Contra-Ataca) - estes integram o júri oficial do festival - acabam por conferir um caráter internacional a um festival que ainda busca uma identidade, mas que a cada ano ganha mais adesão da população manauara, que pode assistir a filmes em praça pública, na frente do Teatro Municipal de Manaus, onde as "sessões de gala" são realizadas e até mesmo em terminais de ônibus espalhados pela cidade.Dillon, que foi indicado para o Oscar de melhor ator coadjuvante por Crash - No Limite, não está lançando nenhum filme em Manaus nem pretende filmar tão cedo na Amazônia. Mas sua ligação com o Brasil não vem de hoje e não vai acabar tão cedo. O ator, que já namorou uma baiana, vai rodar em 2007 um filme no Rio. Ainda sem nome, o longa será dirigido por Jonathan Nossiter, de Mondovino. "Prefiro não falar do projeto agora. Estamos ainda discutindo o roteiro, o argumento. Mas é um filme pelo qual já tenho muito carinho", contou com exclusividade o ator, que é amigo pessoal de Nossiter e não deve receber cachê para atuar nessa nova produção. "Matt tem razão. Será um filme bem urbano, mas pequeno, discreto, feito quase artesanalmente e que levará meses para ser filmado. Vai contar também com a Charlotte Rampling e Irène Jacob", contou Nossiter por telefone ao Estado. "É claro que vai falar da relação dos estrangeiros com o Brasil. É tudo o que posso falar. Eu, que estou no País há apenas dois anos, às vezes tenho a impressão de que hoje sei menos do que sabia quando cheguei. O Rio é uma cidade muito rica, um universo muito complexo", comentou Nossiter, que se casou com uma brasileira há um ano e mora no Rio. A repórter viajou a convite do festival

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