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Matt Damon diz como foi viver sozinho em um planeta, tema de ‘Perdido em Marte’

Ator é o único ser humano em marte durante os 144 minutos do novo filme de Ridley Scott; cientistas citam erros e acertos do longa

Andrea Mandell, USA TODAY

29 de setembro de 2015 | 04h00

Se há um homem que o planeta inteiro concordaria em salvar, é provavelmente Matt Damon, o astro de Perdido em Marte, o hiper realista drama espacial de ficção científica de Ridley Scott, que acompanha uma equipe de astronautas numa missão a Marte e que estreia quinta-feira, dia 1º, no Brasil. Quando uma tempestade de vento sobre o Planeta Vermelho ameaça suas vidas, a equipe da NASA (Jessica Chastain, Kate Mara, Michael Peña, Aksel Hennie e Sebastian Stan) foge, acreditando que seu colega, o astronauta/botânico Mark Watney (Damon) tenha morrido.

Mas ele está bem vivo. E sendo o único ser humano em Marte durante os 144 minutos do filme, está realmente muito sozinho. Sem ninguém para contracenar no filme, ambientado de certo modo no futuro, “basicamente ensaio em casa”, diz Damon. “Quando apareci no set, tinha decorado todo o roteiro depois de repetir aquilo centenas de vezes. No primeiro dia de filmagem, fiz o primeiro monólogo, tipo, um texto de duas páginas, e Ridley disse: ‘Corta!’ Ele só olhou para mim e disse: ‘Deveríamos fazer dois filmes ao mesmo tempo’”.

Pessoalmente, “ele é tão charmoso, tão engraçado”, diz Chastain. “Acredito que o mundo inteiro irá querer resgatar Matt Damon”. Perdido em Marte, filmado em parte no deserto vermelho da Jordânia, foi adaptado por Drew Goddard (Guerra Mundial Z, Lost) do livro cult e best-seller de Andy Weir (lançado no Brasil pela Arqueiro).

Elogiado como uma história repleta de cálculos matemáticos e ciência comprovada (passou até por um rápido teste da NASA), o filme gira em torno da engenhosidade de um astronauta que consegue fazer seus suprimentos previstos para 60 dias num planeta hostil durarem o bastante para se sustentar até que uma missão (coordenada por Jeff Daniels na Terra) tente resgatá-lo dois anos mais tarde.

Em Marte, o astronauta de Damon é o MacGyver da nova geração, “um homem dotado de incríveis talentos, mestre de todos os ofícios”, diz Scott, que usa seu engenho para fazer água e cultivar batatas (uma verdadeira façanha num planeta sem solo). E na vida real? As habilidades de Damon na jardinagem são “horríveis’, ele diz rindo. “Sou um cara totalmente inútil em casa”.

Scott considera Perdido em Marte seu Robinson Crusoe, e, em certo sentido, é o Náufrago de Damon. O ator passa a maior parte do filme na solidão absoluta, contracenando consigo mesmo. O desafio, diz, foi “tentar fazer alguma coisa que não cansasse o público porque só eu estava na tela”.

Mas eis que ele descobre um amigo moderno: em vez de Wilson, a bola de vôlei, Mark Watney tem uma câmera Go Pro (várias, na realidade). “Um homem sozinho conversando consigo mesmo, poderia ficar chato”, diz Scott, que espalhou por todo o set as minúsculas câmeras móveis, hoje usadas não só por surfistas, mas também por esquilos numa prancha de esqui aquático. “A câmera tornou-se seu amigo do peito”, diz o diretor. “Começa então a conversar com ela como se fosse um amigo de verdade”.

“Não é Náufrago no sentido de que é realmente um sujeito que se comporta com a esperança de que as pessoas o observem”, diz Damon. “Com estas câmeras, ele está no vídeo o tempo todo. Ninguém está vendo o vídeo ao vivo, mas ele se comporta como se algum dia alguém possa fazê-lo.” Evidentemente, Damon não estava sozinho na película de US$ 100 milhões enquanto cozinhava batatas no micro-ondas, consertava sua habitação temporária e literalmente fazia chover. “Ridley estava mais ou menos a 1 metro e meio de distância o tempo todo”.

Uma atuação solo é um passo a mais para o astro, que impressionou pela primeira vez Scott em sua performance maliciosa e competente em O Talentoso Ripley, nos anos 90. Chastain considera Damon um ator característico no corpo de um ator de cinema. “Ele interpreta sempre estes personagens muito interessantes”, diz. “Veja sua carreira: O Desinformante e Minha vida com Liberace. É realmente um dos melhores que nós temos”.

Será que Perdido em Marte lhe dará uma indicação ao Oscar? A academia de cinema está gostando de solitárias jornadas no espaço: Gravidade ganhou como melhor filme, há dois anos.

Matt é muito discreto a respeito de sua vida privada: esposa e quatro filhos, comenta Chastain. Quanto à forma física, diz que malha como um louco e obedece a uma dieta rigorosa. É que ele precisou voltar ao corpão da época de Bourne, dez anos mais tarde. “Aos 44 anos, é mais difícil e, como estou levando muito a sério, acho que estou melhor que antes.

Cientistas citam erros e acertos do longa

Perdido em Marte mostra os desafios que os astronautas numa missão pioneira ao planeta vermelho enfrentarão, mas especialistas garantem que o filme é recheado de imprecisões.

Por exemplo, a tempestade que faz com que a tripulação abandone em Marte o botânico Marc Watney (Matt Damon) não teria tanta força. “Por causa da fina atmosfera de Marte, a velocidade do vento só teria a metade da força de um furacão e, provavelmente, não seria uma ameaça como a que aparece no longa”, afirmou Scott Hubbard, especialista em Marte da Universidade Stanford. 

Para o astronauta aposentado Lery Chiao, o filme tem duas cenas improváveis. Em uma, um astronauta perfura uma luva para elaborar um propulsor. Na outra, um membro da tripulação elabora uma bomba caseira que explode apenas uma parte da nave. “Nenhuma delas funcionaria”, garantiu.

O longa também não fala dos perigos da radiação no espaço e o risco de câncer para os pioneiros que vão a Marte. 

Mas também há acertos. O astronauta consegue plantar batatas, que come com barras de proteína e suplementos vitamínicos para se manter vivo.

Bruce Bugbee, diretor do departamento de plantas, solos e clima da Universidade Utah, informou que cientistas desenvolveram métodos de cultivo de plantas em ambientes hostis. Mas ainda falta realizar um experimento que teste essas técnicas em uma simulação de Marte na Terra, que vem sendo desenvolvida no Havaí. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA


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