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Matheus Souza e Clarice Falcão sabem o que estão fazendo das suas vidas

Com 'Eu não Faço a Menor Ideia do Que eu Tô Fazendo com a Minha Vida', dupla mostra que pensa a sua geração

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

24 de dezembro de 2013 | 09h00

Matheus Souza ainda estava na faculdade de cinema. Fez um filme que teve uma madrinha poderosa, a produtora Mariza Leão. Matheus mal tinha deixado as fraldas – como se diz brincando – e já estava nas salas com Apenas o Fim, de certa forma repetindo o fenômeno Bruno Barreto, que também começou ‘muito’ jovem (com A Estrela Sobe, nos anos 1970). A coisa poderia ter terminado aí, como um conto de fadas, mas Matheus ganhou novos padrinhos. Domingos Oliveira fez saber a todo mundo que Matheus era ele, mais jovem. E surgiu Daniel Filho, ator em Eu não Faço a Menor Ideia do Que eu Tô Fazendo com a Minha Vida e diretor de Confissões de Adolescente, em que Matheus é roteirista.

O garoto prodígio – está com 24 anos – toma de assalto mais de 400 salas nesta virada de ano com um filme e um terço. Talvez fosse mais certo dizer – um filme e meio, mas é que Confissões foi dirigido a quatro mãos por Daniel Filho e Cris D’Amato. Somem-se a essas (mais de) 400 salas, em janeiro, as 10 de Eu Não Faço a Menor Ideia. Como um filme pode ter um título assim quilométrico? Mais interessante que essa pergunta talvez seja – por que o filme tem esse título? Queridinho dos grandes, Matheus Souza começou a fazer muita coisa. Fez a nova versão de Confissões de Uma Adolescente, de Maria Mariana, para o teatro, instalou-se na internet.

 

 

Um belo dia, sonso de tanta atividade, levantou-se e, ao se olhar no espelho, pensou consigo mesmo – “Eu não faço a menor ideia do que tô fazendo com minha vida.” No minuto seguinte, pensou que aquilo dava título de filme – que escreveu e realizou, há dois anos, embora somente agora ele chegue ao circuito, lançado pela distribuidora Vitrine, de Sílvia Cruz. Vamos ser objetivos – Eu não Faço a Menor Ideia não atraiu muita gente no fim de semana. Se você é jovem e não está na praia, o que está fazendo? O filme interpretado por Clarice Falcão, Rodrigo Pandolfo e com participações de Gregorio Duvivier, Leandro Hassum, Daniel Filho e Kiko Mascarenhas (entre outros), tem a sua cara. Você vai esperar para baixá-lo na rede? Vai terminar perdendo o bonde – xiiiii, a expressão é antiga. Denuncia a idade de quem está dizendo.

Em Eu não Faço a Menor Ideia, Matheus Souza está colocando na tela a geração internet. Twitter, Facebook, como os jovens se comunicam hoje em dia? O que estão fazendo de suas vidas? O filme é isso, sobre isso? Clarice Falcão virou um fenômeno na internet. Lançou um filme no YouTube, colaborou com a mãe – Adriana Falcão – no seriado Louco por Elas, da Globo, estourou no Porta dos Fundos, lançou até disco virtual. Clarice faz uma garota com cara de sonsa no filme. Não sabe o que quer da vida, mas sabe muita coisa que não quer. Ao contrário da personagem, Clarice é esperta. E centrada. Fala com carinho do pai (João Falcão), da mãe. “Família é tudo.” Nesse conceito de família ela engloba Matheus Souza. “A gente fez faculdade juntos. Somos como irmãos.”

Na sexta, quando falava com o repórter pelo telefone, foi feito o anúncio da morte do cantor e compositor Reginaldo Rossi. Você pode imaginar que o universo de Clarice seria muito distante do dele, mas não. “Que triste! Tenho muito carinho por quem não tem vergonha de expor seus sentimentos nem falar de amor. Pode me chamar de brega, mas eu gosto muito de música de amor.”

Num encontro no Rio, Matheus Souza disse que tenta não apenas reproduzir o diálogo do jovem, mas também o que pensa e como age. O ser e o estar do jovem. Seu ídolo é um cara que já passou dos 70 anos, na verdade tem quase 80. “Woody Allen é como um tio para mim. Encaro seus filmes como presentes. Às vezes, o presente do tio não é tão bom, em outras é mais maneiro. E tem vezes em que é um presentão, como agora com Blue Jasmine.” E a Cate Blanchett? Matheus faz cara e o gesto de quem não tem palavras. Outro que curte demais é Judd Apatow. “Ele quebrou o paradigma de beleza de Hollywood. Sabe aquela coisa, só gente bonita? Judd Apatow nos resgatou, os outros. Gente como a gente. Glamour não é tudo.”

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