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Matheus Nachtergaele encarna Zé do Caixão

Ator capta o sotaque, a voz e todos os trejeitos do cineasta, que ganha homenagem na Mostra e série no canal Space

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2015 | 04h00

Se você se impressionou com a semelhança física que Matheus Nachtergaele alcançou com Zé do Caixão, o personagem de José Mojica Marins, para a série de TV sobre o cineasta, prepare-se para ouvir o ator interpretando seu personagem. Os “erres”, os “eles” , com todas as precisões e imprecisões de pronúncia, no mesmo timbre do original, foram incorporados em cena. Estreia oportunamente em uma sexta-feira 13, às 22h30, agora em novembro, no canal Space. A produção é da Contente, com caprichada direção de Vitor Mafra e um elenco que se estende a Maria Helena Chira, Felipe Solari, Antonio Saboia, Walter Breda, Anamaria Barreto, Vanessa Prieto, Bruno Autran, Alexandre Freitas e Luciano Gatti.

Cada episódio de Zé do Caixão, a série, é dedicado a um filme icônico da carreira de Mojica, a começar pelo western brasileiro (pré-Zé do Caixão) A Sina do Aventureiro. A seguir, tem À Meia-Noite Levarei sua Alma e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver. Já nos três últimos capítulos, está a fase mais transgressora do cineasta, com a trinca O Ritual dos Sádicos (também conhecido como O Despertar da Besta), Perversão e 24 Horas de Sexo Explícito, que apresenta a primeira cena de zoofilia do cinema nacional. A base de tudo está no Maldito, livro que Ivan Finotti e André Barcinski escreveram há 20 anos e agora é relançado, em edição especial, em 666 páginas.

“O Zé do Caixão é uma persona que foi moldada, ao longo de muitos anos, e que habita o inconsciente do coletivo brasileiro”, disse Nachtergaele ontem, após uma exibição dos dois primeiros episódios compilados em formato de filme, como será apresentado na homenagem que a Mostra Internacional de Cinema presta hoje ao próprio Mojica, aguardado na ocasião. Após uma recuperação que incluiu cinco meses de UTI, o cineasta, de saúde frágil, verá o resultado pela primeira vez. “Mostramos alguns trechos para ele e ele se emocionou”, conta Barcinski, que participou do processo de adaptação. Durante as gravações, mesmo sem poder falar, Mojica assistiu a algumas cenas no set.

“Acho que o Zé do Caixão habita os nossos pesadelos profundos, os nossos medos”, continua Nachtergaele. “É um coveiro brasileiro niilista, ateu e que acredita que a única coisa que faz sentido na vida é a perpetuação do seu sangue. Eu tive muita fonte de pesquisa: tinha o livro, os filmes todos, a memória muito viva de quem é o Zé do Caixão, mais do que quem é o Mojica. Não foi possível não fazer uma ‘imitação’, da maneira de falar, do sotaque, que é muito saboroso. A gente ensaiou bastante. Eu tinha receio, no início, porque eu tinha medo de satirizar quem eu admiro.”

Nachtergaele fez questão de agradecer à Globo, que muito excepcionalmente – não se conhece precedente igual – liberou um de seus contratados para protagonizar um programa em outra empresa.

Há quase 20 anos sonhando em transportar o livro para a tela, Barcisnski conta que sua preocupação inicial era que a adaptação fosse fidedigna à vida e à obra de Mojica. “Mas não é um livro de 600 páginas, é uma série de TV e a gente não pode se ater a detalhes”, diz. A direção ficou a cargo de Vitor Mafra, um desejo manifestado por Mojica. “E tem uma coisa que o Matheus não sabe: ele não foi a primeira opção para o papel. O Mojica queria ser interpretado pelo Mel Gibson”, contou Barcinski, aos risos.

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