Toca Seabra/Divulgação
Toca Seabra/Divulgação

Mariana Ximenes fala sobre seu papel em 'Quincas'

Atriz sempre sonhou em viver uma das mulheres dos livros de Jorge Amado e conheceu Bahia sem turista

20 Maio 2010 | 20h51

Roberta Pennafort - O Estado de S. Paulo

 

RIO - Leitora de Jorge Amado na adolescência, admiradora de narrativas como as de Capitães da Areia, Mar Morto e Dona Flor e Seus Dois Maridos, Mariana Ximenes achava que jamais seria chamada para viver uma personagem de suas tramas. Afinal, não é exatamente uma Gabriela. Quando soube que Sérgio Machado filmaria Quincas Berro D’Água, postulou uma vaga. Conseguiu. Releu o livro, pôs-se a tomar sol, mergulhou na cultura baiana, seus cheiros, cores e orixás, e criou uma Vanda digna de seu autor.

 

Paulistana radicada no Rio há 12 anos, por causa do trabalho, a atriz já havia estado na terra de Jorge Amado como turista. Tem uma afilhada baiana, filha de uma amiga. Mariana conhecia as delícias da Salvador do Pelourinho e do carnaval. Da experiência intensa dos ensaios e das filmagens, que começaram uma semana depois do fim da novela A Favorita, ficaram o gosto do feijão-de-corda, do acarajé e da manjubinha, a imagem do casario do Santo Antônio, a lembrança do Dia de Iemanjá e o estreitamento dos laços com Paulo José - amigo, guru, pai.

 

De que forma você entrou no filme?

Soube do projeto e pedi para fazer o teste. Sempre quis fazer um papel numa obra do Jorge Amado, admiro muito seus livros, conheci a Bahia através dele. Mas achava que nunca ia fazer. A equipe também era muito boa. Gostei muito do trabalho do Sérgio no Cidade Baixa. Você vê que ali tem ensaio, tem consistência. O diretor de fotografia (de Quincas), Toca Seabra, é o mesmo de O Invasor (filme de Beto Brant, de 2001, de que participou). E o fato de o Paulo José estar no elenco me seduziu muito.

 

Como foi sua experiência na Bahia para se preparar para as filmagens?

Tivemos a oportunidade de ensaiar durante dois meses. Acredito muito em processo. Trabalhamos com a Fátima Toledo, sem o texto. Construímos todo um passado daquela família. Pude viver a Bahia intensamente, descobrir os cantinhos que você não conhece como turista. Conheci uma outra Salvador, e isso foi muito especial. Ficamos dois meses criando intimidade, eu, o Luis Miranda, o Irandhir, o Flavio Bauraqui, o Frank Menezes... O Sérgio fez um filme baiano, com B maiúsculo.

 

Fale um pouco da composição da personagem Vanda, e da "transformação" que ela sofre no filme.

Fazer cinema te permite ter uma linha de composição da personagem. No início do filme você já vê que a Vanda rouba o cigarro da amiga. Mas ela está ali, emoldurada pelos valores caretas da sociedade. É muito interessante ver a curva dessa personagem. Ela vira o Quincas de saias! Tudo aquilo que foi reprimido se solta.

 

Como foi trabalhar com Paulo José?

Hoje o Paulo é um amigo querido demais. Você não aprende só em cena, mas também com a sabedoria de vida, que só o tempo dá. Fui vizinha de porta do Paulo e da Kika Lopes, figurinista, que é esposa dele, e ela também foi maravilhosa comigo. Ele é um menino serelepe, extremamente sábio, espirituoso, profundo e generoso. No filme, fez um morto com ar jocoso. Incrível.

 

Depois de Paulo, você agora está convivendo com outros grandes atores, na novela Passione: Fernanda Montenegro, Cleyde Yáconis, Leonardo Villar...

Tem também a Aracy Balabanian, o Tony Ramos... Outro dia eu estava gravando com Cleyde, Fernanda, Leonardo... Pensei: "Peraí, deixa eu entender o que está acontecendo, onde é que eu estou." Essas pessoas fizeram a dramaturgia brasileira! É alucinante. Tento desfrutar da melhor maneira possível, porque é um privilégio você ter esse contato, ver como eles se comportam, como são extremamente disciplinados. Estou tentando não ser clichê no que eu digo, mas é isso mesmo.

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