Mariah Carey é estrela de "Glitter"

Os fãs de Mariah Carey vão adorar Glitter - o Brilho de uma Estrela, mas só eles. Mariah canta, canta e canta. O que ficaria de fora num DVD de um concerto da cantora não tem a menor importância e é mal feito. Inventaram uma cantora que canta como Mariah, tem a cara dela, mas é Billie Frank (Holiday & Sinatra?). Filha de mãe negra e pai branco. A fórmula que os americanos chamam ?rags to riches? é aplicada em cada lugar-comum desse tipo de filme. Ela vai da pobreza à riqueza com etapas que passam a toda velocidade na tela. Canta ainda criança num dueto com a mãe (a cantora Valerie Pettiford), a mãe põe fogo na cama e queima sua casa, a mãe vai embora e deixa Billie num orfanato onde ela é amiga de uma branca, uma negra e uma porto-riquenha. Ela diz que é mestiça. Rapidinho ela começa a ser interpretada por Mariah, como uma cantora de backing vocals de uma aspirante a estrela, protegida de um produtor. Ela acaba chamando a atenção de um DJ, o Dice (Max Beesley), que compra seu contrato por US$ 100 mil, mas não paga. Com Dice, ela assina contrato com uma gravadora, faz um single de sucesso e se apaixona. Alguns números musicais depois, Billie rompe com Dice, numa cena confusa. Billie canta, canta, e no clímax, num concerto no Madison Square Garden, canta a todos os pulmões após saber que Dice foi assassinado pelo produtor que não recebera os US$ 100 mil. Mariah não mostra jeito como atriz. Talvez tentando escapar de qualquer ligação com uma biografia de Mariah Carey, o filme tenha passado de raspão na vida de Billie. Além de evitar toda e qualquer menção ao fato da estrela se divertir ou desfrutar da boa vida que seu sucesso trouxe e toda e qualquer cena que merecesse pelo menos um sorriso. Até involuntário.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.