Fábio Motta/ AE
Fábio Motta/ AE

Maria Flor conta como foi contracenar com Anthony Hopkins em '360'

Atriz fala de sua estreia no cinema internacional e de programa que apresenta no Multishow

Aline Nunes - Jornal da Tarde,

08 Dezembro 2011 | 11h26

SÃO PAULO - De um lado, encostado numa parede, Anthony Hopkins. Do outro, com um texto em mãos, Jude Law. A prova de inglês já ficou para trás. Aos 28 anos e com dez de carreira, a atriz brasileira Maria Flor foi aprovada na leitura gringa “com louvor”, pelo cineasta Fernando Meirelles.

Passado o teste de idioma, só faltava enfrentar essas ‘feras’ citadas acima. Principalmente, a de O Silêncio dos Inocentes (1991), com quem ela contracena em 360, novo filme de Meirelles, rodado em março deste ano, em Londres. “Como vim parar aqui?”, pensava a atriz, enquanto olhava no fundo dos olhos azuis de Hopkins.

A resposta, até agora, ela não encontrou. Mas vibrante, como o jornal londrino Evening Standard a descreveu, a carioca rodou uma cena de 16 páginas com o veterano Hopkins e, em 21 de março de 2012, estreará mundialmente, falando em inglês, ao lado ainda de Ben Foster (O Mensageiro, de 2009) e Rachel Weisz, que levou o Oscar por seu papel de coadjuvante em O Jardineiro Fiel (2005), também dirigido por Meirelles.

Em alta, a jovem descolada com dois namorados do seriado Aline, que teve duas temporadas na Globo, estreia hoje um programa solo no Multishow, Todo Mundo, às 22h, com o crivo da mãe, Marcia Leite, que a dirige. Solta pelas ruas de Londres, a qual ela considera sua segunda casa, Maria Flor mostra, em quatro episódios, a história de alguns brasileiros que residem na capital inglesa.

Nova parceria. Na telinha, ela compartilha sua relação com a cidade, que frequenta desde os 14 anos, mostra a rotina dos personagens (todos seus amigos), fala dos relacionamentos entre brasileiros e estrangeiros, e de como é trabalhar fora do país de origem. Mas tudo de maneira informal.

“Não tenho a pretensão de ser apresentadora. Sou só uma pessoa que fica intermediando”, conta a atriz, que diz nunca ter recebido um convite desse estilo da Globo. Em 2012, ela assina outro projeto com o Multishow, mas como atriz. O namoro com o canal, pelo visto, tem futuro.

Maria Flor não almeja ser apresentadora mas, segundo ela, faz tempo que o Multishow a convidava para ocupar tal função. “Não sei a razão”, diz. Mas de passagem por Londres para a filmagem de 360, de Fernando Meirelles, ela sugeriu ao canal a atração Todo Mundo, em que a mãe, Marcia Leite, iria dirigi-la, e resolveu se arriscar. O Multishow adorou a ideia de mostrar os brasileiros que ganham a vida na capital inglesa e embarcou na viagem da atriz.

 

Em três semanas, ela gravou todo a atração e, como bônus, foi curtir alguns cantinhos favoritos da cidade. “Em Londres, tenho um lugar em que gosto de comer bolinho, outro em que vou para beber, um em que sonho ter um apartamento.” O mapa da capital inglesa está desenhado na cabeça da atriz.

A primeira vez que Maria Flor pisou na terra da rainha Elizabeth II foi aos 14 anos. “Vi que o mundo não era só o meu bairro (risos).” Desde então, ela perdeu a conta das vezes que desembarcou por lá. “Acho que foram umas sete.”

Dessa última, porém, foi diferente. Pela primeira vez, Maria Flor foi rodar um filme estrangeiro.

“Fiquei bem nervosa na hora do teste de inglês.” Até aí, ela nem sequer fazia ideia de que ficaria frente a frente com Anthony Hopkins. Muito menos que trocaria algumas palavras com Jude Law nos bastidores e enfrentaria Ben Foster, que não quis conhecê-la antes das filmagens de 360.

Quando a convidou para fazer o teste do filme, por e-mail, Fernando Meirelles - com quem ela já tinha trabalhado na série Som & Fúria (de 2009, exibida na Globo) - foi sucinto e apenas comentou que se tratava de um longa internacional, que falaria sobre as relações humanas.

“Na hora, respondi que sim”, afirma ela. Maria Flor passou na prova de idioma e, no final, surpreendeu o elenco. No blog do filme, Meirelles conta que, no dia em que Hopkins rodou com a atriz, escreveu um e-mail para ele em que a chamava de ‘little Maria’. “Gostei de contracenar com a pequena Maria - ela é tão talentosa, tão bonita…”

Mesmo diante de um elogio como esse e do ‘namoro’ com Londres, ela não faz planos de deixar o Brasil. “Com o filme do Meirelles, outras portas se abriram e tenho investido nisso”, diz. “Mas falo português, comecei a trabalhar no Brasil, então, tenho uma carreira aqui também.”

Ao menos em 2012, a moça continua por aqui. Possivelmente, numa dobradinha com a mãe, Marcia Leite, diretora da produtora Fina Flor Filmes, no Multishow. Enquanto isso, na Globo, na qual não tem contrato fixo, protagonizará um dos episódios de As Brasileiras.

E, mais uma vez, assinará uma parceria de peso. Dessa vez, para ser dirigida por Daniel Filho. A fila de projetos, porém, não termina aí. Também em 2012, vai estrelar o longa nacional Corpo Fechado, de Luiz Henrique Rios, com Caio Blat.

Mesmo a passos largos, Maria Flor não acha que sua carreira deslanchou rapidamente.

“Comecei aos 18 anos. Acho que estou com uma trajetória sólida e calma”, diz ela, e afirma ser imune ao deslumbramento, comum no meio artístico. “Já passei muito B.O. (boletim de ocorrência, numa referência aos perrengues que enfrentou) em gravação. Já tive de fazer xixi em boteco, enfrentar lama. Não é só glamour, né?”

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