Maria Fernanda Cândido, a mais nova musa do cinema

Abençoado Wim Wenders! O diretor alemão foi o responsável pela descoberta da vocação de Maria Fernanda Cândido. Ela tinha 14 anos e nenhuma informação sobre cinema quando retirou, numa locadora, Paris, Texas. Gostou tanto que retirou o filme mais oito vezes. Resolveu que queria ser atriz, mas ainda percorreu um longo caminho até receber em Gramado, este mês, o prêmio de interpretação feminina do Festival do Cinema Brasileiro e Latino por Dom, que estréia no dia 19. O filme que Moacyr Góes fez a partir do romance clássico de Machado de Assis, Dom Casmurro - não é uma adaptação -, pode ter seus defeitos, mas Maria Fernanda é 10. Se você lhe pergunta um exemplo de mulher bonita - Maria Fernanda Cândido não vale -, ela responde: Nastassia Kinski. Um homem? Daniel Day-Lewis, "pelo charme e mistério".Maria Fernanda faz essas pequenas confissões na terça-feira à tarde, num encontro exclusivo com a reportagem do Estado no Café Paulistano, nos Jardins, que gosta de freqüentar. Parece mais magra, mas diz que é o seu normal. "A TV é que deixa a gente mais cheinha." Nascida, há 29 anos, em Londrina, no Paraná, ela mora há 17 em São Paulo. "Aqui reside a minha pessoa física, a jurídica mora no Rio", ela explica, comentando a divisão entre as duas cidades, por força de sua atividade na Globo. Agora mesmo, prepara-se para interpretar a minissérie de Maria Adelaide Amaral e Carlos Araújo, Um Só Coração, que a Globo deve exibir a partir de janeiro, em comemoração aos 450 anos de São Paulo. E viaja pelo País apresentando a peça O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago. "Neste fim de semana estaremos em Goiânia", anuncia.Dom é sua estréia no cinema e também a do diretor, mais conhecido como encenador teatral. Houve momentos de tensão no set. Mesmo que sua personagem, Ana, não seja Capitu - interpretada por Isabela na adaptação de Paulo César Saraceni, nos anos 1960 -, a base é a obra-prima machadiana. "O problema de se trabalhar sobre clássicos é que fazem parte do imaginário das pessoas. Cada um tem a sua Capitu." Dom é o filme que você tem de ver - por causa de Maria Fernanda. Mas não deixa de ser importante também para a Diller Produções. O produtor Diller Trindade tem feito os filmes de Xuxa - Xô, dizem os críticos! Depois de Duendes 1 e 2, faz agora o 3, com direção de... Moacyr Góes. Em seguida vai fazer a comédia do verão, com Angélica e Luciano Huck. São filmes descartáveis, para faturar. Dom é de outra ambição, mais sofisticado. mais adulto. Você pode não gostar, mas Diller está tentando alguma coisa para diversificar sua produção.Preparação - Até chegar ao set de Dom, ela precisou de muita força de vontade. A beleza abriu-lhe portas, não nega. Ficou três anos alternando o curso de Fátima Toledo, a mais notória preparadora de elenco do Brasil, com a faculdade de Terapia Ocupacional. Parou no último semestre, quando a carreira começou a exigir muito dela. Começou a fazer novela no SBT (Pérola Negra), depois na Band (Serras Azuis). Não aconteceu, mas as novelas não aconteceram, também. Ia fazer uma terceira na Record quando soube que a Globo procurava uma atriz para um pequeno papel em Terra Nostra. Candidatou-se e o resto você sabe. Maria Fernanda não seduziu só o personagem de Raul Cortez. O Brasil inteiro caiu de amores pela linda mulher de olhos claros que falava aquele italianês. Trabalhou durante três meses para aprimorar o sotaque. O resto foi genético. Descendente de italianos, por parte da mãe, Maria Fernanda valeu-se de experiências familiares para compor a personagem. Explica que, por parte de pai, a mistura é maior: descende de índios, de árabes. O repórter diz que a mistura deu certo, benza Deus. Ela sorri, candidamente.Jura que não estava preparada para aquele sucesso todo. De repente, virou objeto de desejo dos homens de todo o Brasil, de inveja das mulheres, também. A parte do desejo, ela sabe. A da inveja, não sente. Convive bem com a fama. Tem duas regras, das quais não abre mão. "Não comento a minha vida privada; se é privada é para continuar assim. E também não desisto de fazer coisas que fazem parte da rotina de qualquer mulher." Vai ao supermercado fazer suas compras, vai ao cinema. "Se eu entrar na paranóia que não posso fazer as coisas, aí não vou fazer mesmo", diz. Gosta de andar de bicicleta e de fazer alongamento. O repórter se faz de tonto e pergunta como é. Ela estende o braço, projeta o busto. Só isso já vale a entrevista. Dá duas sonoras gargalhadas que ecoam no café, a esta hora vazio. Se você quiser convidá-la para um almoço ou um jantar, suas preferências dividem-se entre a comida japonesa, a árabe e a pasta da nonna. Está lendo, em francês, La Maladie de la Mort. Ama Marguerite Duras. O francês não é esnobismo. "Morei um tempo em Paris", explica. E, ah, sim, Maria Fernanda adora o centro de São Paulo. Dá uma dica. "O Pátio do Colégio é um dos lugares mais bonitos da cidade."

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