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BETH GOTARDO
BETH GOTARDO

Marco Dutra, Juliana Rojas e Caetano Gotardo estreiam na Berlinale com 'Todos os Mortos'

Diretores e montadora do filme foi selecionado para a competição do Festival de Berlim

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2020 | 09h32

Marco Dutra, Juliana Rojas e Caetano Gotardo conheceram-se na faculdade de cinema. Formavam um trio inseparável. Com um mês de escola, Dutra e Juliana já estavam fazendo seu primeiro exercício – primeiro filme – juntos. E assim tem sido, desde então. Está sendo uma manhã feliz para o trio, essa de quarta-feira. Todos os Mortos foi selecionado para a competição do Festival de Berlim, que este ano ocorre de 20 de fevereiro a 1.º de março. Dutra e Gotardo codirigem, Juliana é a montadora.

É a primeira vez que participam da seleção da Berlinale. “Estive lá com o Boas Maneiras, mas foi no mercado”, conta Dutra. E Gotardo: Participei do Talent Campus em 2014, mas sem projeto.” “Começamos a escrever esse filme em 2013, num momento de grande agitação. Foi um processo longo e muita coisa mudou, muita coisa foi maturada, mas o filme nasceu com essa vontade de refletir sobre o Brasil, sobre nossas origens”, explica Gotardo. “Escolhemos o biênio 1899-1900 porque naquele momento de formação, transformação da sociedade brasileira, encontramos estruturas que permanecem até hoje. Falar sobre a herança da escravidão permite abordar temas como a desigualdade social, o trabalho, a presença do negro na cultura e na sociedade”, acrescenta Dutra.

Basicamente, é um filme de mulheres. A doméstica, ex-escrava, que morre, a mãe e duas filhas. É um filme de época e foi feito todo um trabalho de pesquisa. “Foi muito gostoso trabalhar com toda essa informação, essas texturas, essa vivência, mas a intenção nunca foi fazer um filme de época pelo estilo. O viés é contemporâneo e, por isso, apesar de todo o cuidado, o que importa é a ressonância atual. O filme pode ser de época, mas a tragédia brasileira é atual. Estamos muito satisfeitos com o trabalho, e curiosos para ver como será recebido, no País e fora, nesse momento em que o olhar internacional está tão voltado para o Brasil”, diz Dutra.

O tema da escravidão tem aparecido em filmes brasileiros recentes. Houve Vazante, de Daniela Thomas, que provocou uma discussão sobre racismo no Festival de Brasília. Na sequência, vieram Nó do Diabo, definido como o Corra! nacional, e O Juízo, de Andrucha Waddington, com Criolo, no ano passado.

Os dois últimos são filmes de gênero – horror. Dutra tem sido assíduo no gênero, e assinou um belíssimo exemplar – As Boas Maneiras –, mas dessa vez a pegada é outra. O elenco inclui muita gente de teatro, com papéis de destaque para Gilda Nomacce e Leonor Silveira, que trabalhou em filmes de Manoel de Oliveira.

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