Marcelo Serrado: agenda cheia depois de prêmio

Ele pára, mas por pouco tempo. Parece elétrico. Cruza e descruza as pernas. Ameaça ficar em pé. Gesticula. Troca de posição. Finalmente se levanta, empolgado com a própria resposta: o ator Marcelo Serrado parece viver sob constante excitação. Motivos não faltam, ao menos desde agosto, quando ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Gramado, com o longa gaúcho Noite de São João, de Sérgio Silva. Desde então, recebeu duas propostas para voltar a filmar, além de já estar em cartaz com outro trabalho, Seja o Que Deus Quiser, de Murilo Salles. "O Kikito foi um estímulo para continuar no cinema, pois não quero o prêmio apenas como apoio dos meus livros na estante", comenta. "Minha prioridade sempre foi o teatro, mas tenho recebido ótimas propostas para filmar." Sua agenda, de fato, tem poucas brechas: no próximo mês, Serrado viaja para a Amazônia onde vai rodar Dedos Femininos da Mão de Deus, de Ana Penido, uma brasileira que morou em Los Angeles durante 15 anos. Quando voltar, retoma o fôlego para iniciar 2004 filmando um roteiro escrito por João Emmanuel Carneiro (o mesmo de Central do Brasil e Deus É Brasileiro), que deverá se chamar O Extraviado. "Há seis anos, ele trabalha nesse texto", conta, empolgado. Serrado viverá um garoto recém-chegado ao Rio. Logo ele vai se envolver com uma jovem e, juntos, seqüestram um aposentado. A história se passa em Maria da Graça, subúrbio carioca. Enquanto estiver filmando, Marcelo Serrado vai dividir o tempo com a última temporada de um de seus maiores sucessos no teatro, a peça No Retrovisor. Somente durante o mês de janeiro, o espetáculo vai estar em cartaz no Rio de Janeiro. "Será a última oportunidade para se conhecer a peça no palco; senão, depois, só no cinema." Sim, cinema, pois o texto de Marcelo Rubens Paiva vai ser adaptado para a tela grande. Serrado vai viver o mesmo papel, Ney, que, depois de um acidente de carro, perde a visão. Marcelo Serrado evita comparações, mas o Kikito que recebeu em agosto (premiação, aliás, contestada por alguns críticos) veio com um significado especial. "Prêmios são importantes para um ator, mas devem carregar um aumento na obrigação", acredita. "O talento e a vocação são importantes, mas não se consegue nada sem muito esforço. O importante é acreditar", diz ele.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.