Marc Webb fala da experiência de dirigir o segundo 'Homem Aranha'

Cineasta diz que quer ser apenas consultor do terceiro longa

Ian Spelling , The New York Times

29 de abril de 2014 | 19h50

Marc Webb era um novato em megafilmes quando a Columbia Pictures o pinçou para dirigir O Espetacular Homem-Aranha (2012). Ele só havia feito alguns videoclipes encantadores, o aclamado longa indie 500 Dias com Ela (2009), e o piloto da série de curta duração Lone Star (2009). O Espetacular Homem-Aranha, é claro, se tornou um tremendo sucesso de crítica e bilheteria quando foi lançado.

Agora, Webb está de volta com O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, que estreia no Brasil. Em conversa por telefone, ele conta toda a sua experiência com o Homem-Aranha.

"Meu aprendizado no primeiro foi enorme, em relação a efeitos visuais. Nunca havia realizado algo com esse escopo, particularmente a animação do Homem-Aranha (Andrew Garfield) e do Lagarto (Rhys Ifans). Tentar criar uma espécie de realismo, isso foi espinhoso... e eu nunca tivera esse tipo de experiência antes. Agora, tendo passado por isso, consegui pensar nas eventualidades e obstáculos que se colocam no nosso caminho", conta Marc Webb.

"Há outras coisas óbvias, como a roupa (do Homem-Aranha)", continua. "No primeiro filme, eu estava realmente preocupado com a ideia de como o rapaz faz a roupa. É, por isso, que os olhos foram feitos de vidro, e, de certo modo, isso foi um erro, porque os fãs de carteirinha têm tanta conexão com a especificidade do traje que senti que devia voltar à sua versão tradicional", recorda.

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"Aprendi sobre o grau dos efeitos e fiquei sabendo do que Andrew e Emma (Stone) são capazes", diz, ainda. "Agora, nós nos conhecemos muito bem. Quando estávamos desenvolvendo o roteiro, percebemos quanto Andrew é engraçado e como ele é bom no que faz. Isso foi ótimo. E vimos a atriz maravilhosa que a Emma é", acrescenta. "Ela não é apenas engraçada. Tem realmente muita profundidade, e isso foi algo que exploramos bem, desta vez."

A sequência de Webb começa com Peter Parker perfeitamente feliz da vida. Ele ama ser o Homem-Aranha e adora sua namorada, Gwen Stacy (Stone). Essa felicidade não pode durar muito, porém. Max Dillon (Jamie Foxx), um sujeito comum que é, na verdade, um grande fã do Homem-Aranha, se manifesta como o sugador de energia extremamente perigoso Electro, enquanto o velho camarada de Parker, Harry Osborn (Dane DeHaan) se transforma no monstruoso Duende Verde. Não demora para que tudo e todos que Parker aprecia sejam ameaçados.

Os fãs dos gibis do Homem-Aranha da Marvel sabem que Electro, criado por Stan Lee e Steve Ditko no início dos anos 1960, nunca passou de um adversário de segunda linha do Homem-Aranha. Isso liberou Webb para fazer mais com ele, criativamente. Também ajudou que o versátil e inventivo Foxx fizesse o papel.

"A versão original de Electro tinha aquela estrela no rosto, e era verde e amarelo, mas percebi que as possibilidades do personagem eram extraordinárias. Pensar sobre a natureza deste vilão, foi pensar também sobre como torná-lo explosivo e interessante, não só visualmente, mas emocionalmente. Para compreender Electro, é preciso entender Max Dillon", afirma Webb.

Foxx inventou esta versão de Dillon, um homem tímido, desajeitado, cuja raiva pós-transformação vira furor quando o Homem-Aranha não se lembra dele depois de breve encontro. "Há um pathos intenso no personagem, mas também uma loucura. Ele tem alguma coisa de psicótico, e é perigoso. É um marginal. Ignorado pelas pessoas que deveriam tê-lo amado, que é a mesma história de Peter Parker", ressalta o diretor.

"Os vilões são, com frequência, inversões do personagem (central)", avalia. "É a maneira como eles reagem às situações que define seu caráter, e, para Electro, nós exploramos um pouco os antecedentes desse percurso." Webb acredita que O Espetacular Homem-Aranha 2 vai fazer sucesso, e a Columbia já está preparando o episódio 3, com ele mesmo na direção. Mas Webb anunciou recentemente que não fará o planejado n.º 4 ou os desdobramentos dos vilões Venom e Sinister Six (Sexteto Sinistro).

"Sempre imaginei uma série de três partes e, neste segundo filme, senti que havia muitos personagens que poderiam de fato ter filmes dedicados especialmente a eles, em particular, Venom. E percebemos que o aspecto de equipe de Sinister Six seria uma coisa interessante para desenvolver", explica também Webb. "Mas as coisas se encaminharam de tal modo que sinto que posso contribuir mais como um consultor. Além disso, o projeto é tão para o futuro que é difícil pensar nisso agora."

TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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