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'Máquinas Mortais' situa sua ação em cidades sobre rodas para contar uma história de cobiça

O melhor, mais belo e sensível do filme é a relação entre Hester e Shrike, mas também existe química entre Hester e Tom

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2019 | 03h00

No futuro distópico, cidades gigantescas, sobre rodas, perseguem cidades menores para devorar, deglutindo suas riquezas e fontes de energia. A maior dessas cidades é Londres, e nela vive o vilão (Hugo Weaving) que projeta construir uma arma tão poderosa que fará dele o senhor do mundo. Para atingir seu objetivo, ele não vacila em destruir quem se coloca em seu caminho, como Hester, a garota cuja mãe ele matou, ou o jovem historiador que a ela se alia.

Tal é o conflito de Máquinas Mortais, que se filia ao gênero de ficção científica chamado de ‘steampunk’. O termo, no limite, refere-se à tecnologia a vapor e homenageia um tipo de explosão tecnológica pré-digital, quando autores como Jules Verne, ainda no século 19, começaram a imaginar coisas (aviões, submarinos), impossíveis de viabilizar com os elementos então disponíveis. Não deixa de ser um retrofuturismo e um mundo cheio de possibilidades plásticas e dramáticas para visionários como Peter Jackson, que realizou a trilogia O Senhor dos Anéis.

Em 2009, já tendo lançado a sua versão de King Kong e ainda trabalhando no projeto de Um Olhar do Paraíso, que seria lançado em 2009, Jackson adquiriu os direitos do quarteto de ficção científica de Philip Reeve, Mortal Engines. Esperava fazer o filme em seguida, enquanto pré-produzia O Hobbit, que seria realizado por Guillermo Del Toro. Só que Del Toro saltou fora e, com o filme andando, não restou a Jackson outra alternativa do que voltar ao universo de JRR Tolkien. O Hobbit virou trilogia e quando o último episódio, A Batalha dos Cinco Exércitos, foi lançado em 2014, Jackson estava exausto.

Queria descansar desses filmes, mas os direitos de Máquinas Mortais já estavam por vencer. Pressionado, ele buscou um diretor que abraçasse a causa e escolheu seu discípulo Christian Rivers, que nem sonhava com um filme assim grande. O resultado é essa extravagância que estreou na quinta, 10, motivo de chacota de quase toda crítica que tem caído matando sobre o filme. Com bilheterias insatisfatórias, Máquinas Mortais arrisca-se a não decolar como franquia e até a encerrar prematuramente a carreira de Rivers. Seria pena. O filme reúne elementos de várias obras – Star Wars, Mad Max, O Senhor dos Anéis e até Harry Potter (sim!). Dito assim parece um Frankenstein e Rivers, consciente disso, criou o seu Frankenstein na trama – o sinistro Shrike, homem-máquina que move implacável perseguição a Hester, cobrando-lhe uma promessa

Shrike mantém vestígios de sua antiga humanidade – como RoboCop. Gigante programado para destruir, ele vacila diante da lágrima da heroína e lhe fornece a chave para impedir que Valentine/Weaving se transforme em Thanatos. O melhor, mais belo e sensível de Máquinas Mortais, é a relação entre Hester e Shrike, mas também existe química entre Hester e Tom. 

Quem fornece a voz ao terrível robô é Stephen Lang, o militar enlouquecido que tenta destruir a árvore da vida em Avatar, de James Cameron. O casal de humanos é formado por Hera Hilmar e Robert Sheehan. Há algo de Bumblebee – a heroína poderosa, a máquina que, no limite, se solidariza com o humano. E, claro, toda a parafernália tecnológica – a imaginação é o limite – que tem caracterizado as megaproduções de Peter Jackson, como criador de mundos.

 

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