Manoel de Oliveira recebe a Palma de Ouro Honorária

'Quer viver 100 anos? Vá para o Brasil', disse o diretor artístico de Cannes para celebrar um século do português

Flávia Guerra, enviada especial a Cannes,

08 de maio de 2019 | 14h54

"Quer viver 100 anos? Vá para o Brasil. Três grandes artistas que estão completando 100 anos neste ano vivem indo para o Brasil. O Oscar Niemeyer nasceu lá. O Claude Lévi-Strauss (antropólogo francês) viveu lá. E o Manoel de Oliveira vive indo e voltando para lá", brincou Thierry Frémaux, o diretor artístico e delegado geral do Festival de Cannes, durante a cerimônia de entrega da Palma de Ouro Honorária a Manoel de Oliveira, nesta segunda-feira, 19, no Palais du Festival.  Veja também:Acompanhe a cobertura no blog do Merten   Teste seus conhecimentos sobre o Festival de Cannes Atriz italiana Monica Bellucci provoca furor em CannesSteven Spielberg 'pode fazer novos filmes de Indiana Jones' A brincadeira foi por conta de um pequeno erro cometido por Frémaux quando abria a sessão de homenagem e apresentava os convidados da festa dedicada ao diretor português mais influente da atualidade. "Quero lembrar todos os grandes artistas que neste ano completam 100 anos, como Oliveira (no dia 12 de dezembro), Strauss e Clint." Clint Eastwood está em Cannes para apresentar seu novo filme L`Echange, que concorre à Palma de Ouro e será exibido na terça-feira, 20. Enquanto não inicia sua maratona de sessão para imprensa, conversa com os jornalistas e sessão de gala, o diretor americano prestigiou o colega português. A platéia caiu na risada. Mas Frémaux não se abalou e emendou a brincadeira acima. Descontraído e emocionante. Este foi o tom da cerimônia que coroou a carreira do mais longevo diretor de cinema da História. "Finalmente ganhei minha Palma de Ouro! Esta é a melhor forma de receber este prêmio porque eu não precisei competir com nenhum colega meu. Eu não gosto de competição. Então, nada me deixa mais feliz que este prêmio hoje", brincou e agradeceu diante de uma platéia de quase três mil pessoas, incluindo membros do júri desta edição do festival, sua mulher Isabel e seu filho Ricardo, e o diretor geral do festival Gilles Jacob. Autoridades como Christine Albanel, ministra da Cultura e Comunicação de Portugal, Manuel Barroso, presidente da Comissão Européia, e outros ministros europeus da cultura também prestigiaram a celebração.  Durante a cerimônia foi exibido um curta-metragem dirigido pelo próprio Jacob: One Day in Manoel de Oliveira’s Life (Um Dia na Vida de Manoel de Oliveira). "Há anos, quando eu participava do Festival de Cannes, alguém deixou um bilhete embaixo da minha porta dizendo: ‘Senhor Oliveira, cinema ‘e movimento’. Disse isso porque meus filmes são famosos por terem muitos planos fixos. Mas, ora pois, uma foto fixa é uma coisa. Um plano fixo é outra. Há muito movimento, muitas ações acontecem dentro de um quadro de um plano fixo", brincou Oliveira logo na abertura do filme. A platéia, mais uma vez, aplaudiu de pé.  Antes da exibição do media-metragem, Trabalho no Rio do Ouro (um belo documentário em preto-e-branco, mudo, rodado em 1931), o primeiro filme dirigido por Manoel de Oliveira, atração que encerrou a cerimônia, o diretor conclui seu agradecimento com chave de ouro: "Diz-se certa vez que fazíamos muitos aviões, mas não tínhamos nenhum aeroporto, como uma metáfora para dizer que fazemos muitos filmes, mas não temos onde mostrá-los. Estou honrado de estar aqui hoje porque para mim Cannes é o melhor aeroporto de filmes do mundo", continuou o diretor de obras como A Carta, Belle Toujours e Vou pra Casa. Foi justamente Michel Piccoli, o protagonista de De Volta para Casa e Belle Toujours, quem entregou o troféu para o amigo e parceiro. "É ainda mais especial estar recebendo esta Palma das mãos de Piccoli. Se não fosse ele, não haveriam estes filmes. E não haveria momentos fundamentais do meu cinema. E não seria Possível ‘voltar para casa’ sem ele", brincou, provando que o humor ainda é a melhor receita para se ter uma longa, e boa, vida.

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