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Manoel de Oliveira é homenageado na Mostra Internacional de Cinema

'Visita ou Memórias e Confissões' ficou 33 anos guardado, para ser visto só após a morte do grande artista

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2015 | 03h00

Grande amigo da Mostra, o mestre português Manoel de Oliveira foi revelado no Brasil pelo evento. Ele morreu em 2 de abril, aos 106 anos. Como a Mostra já fez uma retrospectiva recente da obra do diretor, não caberia repeti-la. Mas Oliveira não deixará de ser lembrado. Em maio, Cannes Classics prestou o mesmo tributo que ele agora recebe em São Paulo.

Em 1982, Oliveira estava com ‘apenas’ 76 anos. Levava uma carreira bissexta, fazendo filmes muito espaçados entre si. Agora, no retrospecto, pode-se dizer que algo se passou no ano anterior, quando ele fez Francisca, que marcou o início de sua prolífica colaboração com a escritora Agustina Bessa-Luís. A obra de Oliveira tornou-se mais regular e, a partir dos anos 1990, ele passou a fazer um filme por ano, todos os anos.

Mas, em especial, naquele ano, Oliveira fez algo surpreendente. Um documentário que depositou na Cinemateca Portuguesa e que só poderia ser visto após sua morte. Visita ou Memórias e Confissões virou objeto de mito. O que haveria nele, a ponto de o autor querer se preservar, impedindo sua exibição em vida? Que memórias e confissões seriam essas? Escabrosas? Se havia alguma expectativa nesse sentido, foi frustrada. Nem por isso os admiradores do grande artista deixarão de se sentir recompensados com a visão de Visita.

A visita do título é à velha casa do Porto em que Oliveira viveu com a mulher. Já naquela época se completavam 40 anos do casamento. Na casa, ele escreveu seus roteiros, estabeleceu os fundamentos do que seria seu cinema. A lembrança da casa vira esse espaço da confissão e da memória. Jeanne Moreau disse certa vez ao repórter que Oliveira eta ‘tetu’, obstinado, cabeça dura e essa era a mesma definição que Agustina Bessa-Luís usava para explicar porque brigavam tanto, sem deixar de se respeitar (e admirar). 

Oliveira fala da falta de dinheiro que o leva a deixar a casa. Fala diretamente para a câmera - sobre mulheres, família. Discute questões filosóficas, até metafísicas. É um retrato tão íntimo que Oliveira, sentindo-se devassado pela própria câmera, preferiu resguardar-se, por pudor. Sua decisão foi sábia. A título póstumo, o filme de 68 minutos aprofunda e esclarece tudo o que imaginávamos saber sobre ele. 

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