'Mandela' narra amizade entre líder e guarda na prisão

Filme de Bille August mostra mudanças na vida do carcereiro, que por 20 anos conviveu com o líder africano

REUTERS

08 de outubro de 2009 | 10h48

Apesar de não ser mais manchetes de jornais, o líder sul-africano Nelson Mandela ainda é uma figura que desperta interesse. Por isso é uma pena que o longa Mandela - Luta Pela Liberdade, que estréia em São Paulo e no Rio na sexta-feira, não chegue à altura do biografado, dando ao personagem um tratamento excessivamente didático.  Veja também: Trailer de 'Mandela - Luta pela Liberdade'  Dirigido pelo veterano dinamarquês Bille August (A Casa dos Espíritos), o roteiro é baseado num livro de memórias de James Gregory, guarda que cuidou de Mandela quando o líder sul-africano esteve preso na Ilha de Robben. O longa acompanha o relacionamento entre os dois homens ao longo dos anos e como suas vidas se transformam. Mandela - Luta Pela Liberdade começa com Gregory (Joseph Fiennes, de Shakespeare Apaixonado), sua mulher Gloria (Diane Kruger, de A Lenda do Tesouro Perdido) e filhos chegando à ilha, onde ainda não sabe qual cargo ocupará. Por sua criação, ele acredita que os brancos são superiores, e como cresceu numa fazenda no Transkei, é capaz de falar xhosa, o idioma dos negros locais. Por isso é escolhido para cuidar de Mandela (Dennis Haysbert, da série 24 Horas), líder do Congresso Nacional Africano - partido que lutava contra a política de segregação racial apartheid. Mandela é apresentado, ao longo do filme, de forma maniqueísta, sempre superior a todos, inclusive seus colegas de prisão. Gregory, por sua vez, também não tem nenhum respeito pelo prisioneiro e tenta mostrar quem manda, mas nem sempre consegue. Mandela foi preso na década de 1950 e no final dos anos de 1960, e foi nessa época que conheceu Gregory, que o considera o maior terrorista do mundo. Como Mandela - Luta Pela Liberdade é baseado nas memórias de Gregory, a ênfase está na vida dele e de sua família. O líder sul-africano quase sempre é visto como uma figura distante, dotado de grande bondade, mas quase nunca o filme chega ao seu coração ou seu lado mais humano. August-- duplamente premiado em Cannes, com As Melhores Intenções (1992) e Pelle, O Conquistador (1987) - imprime um tom excessivamente didático ao filme, quando a narrativa pedia algo mais elaborado. Afinal, ele está contando a história de um dos mais importantes personagens do século 20, abordando um tema tão explosivo quanto relevante: a igualdade racial. O elenco se esforça mas seus personagens nunca vão além de um retrato plano de personagens por natureza complexos e repletos de conflitos e nuances. No final, nem as locações da África do Sul salvam o filme. (Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

Tudo o que sabemos sobre:
FILMEESTRÉIAMANDELA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.