REUTERS/Brendan McDermid
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Manchado pelo #MeToo, Woody Allen tem problemas para arranjar patrocínios

Diretor americano vê contratos em risco e pode se afastar do cinema depois de décadas de produção frequente

EFE

30 de agosto de 2018 | 10h15

NOVA YORK — O diretor americano Woody Allen pode se afastar do cinema depois de produzir um filme por ano durante décadas, de acordo com o portal especializado PageSix.

A Rainy Day in New York, 48.º filme dirigido pelo cineasta, terminou de ser rodado em novembro do ano passado e será apresentado antes do final deste ano pela Amazon Studios, companhia com a qual o diretor assinou um acordo em 2016 para produzir outros três longas.

No entanto, um artigo da revista Hollywood Reporter afirma que é possível que a Amazon decida romper este acordo com Allen, de 82 anos, apesar do pagamento substancial que teriam que realizar.

O PageSix também afirma que o cineasta não tem nenhum filme pronto para estrear em 2019, e o site especializado em cinema IMDb aponta que Allen tem um projeto na fase de pré-produção para 2020, mas até o momento não encontrou quem o financie.

"Woody adora trabalhar. Nunca sai de férias, mas vai tirar um tempo para descansar este ano até que encontre um patrocinador", disse ao PageSix uma fonte que permaneceu no anonimato.

A imagem do diretor foi arranhada no último ano por novas declarações de sua filha adotiva, Dylan Farrow, que o acusa de ter abusado sexualmente dela quando era uma menina.

O filho que Allen teve com a atriz Mia Farrow, Ronan Farrow, apoiou sua irmã publicamente. Ele também foi um dos principais promotores do movimento #MeToo, que denunciou várias das figuras mais poderosas de Hollywood por abuso sexual de jovens atores e atrizes.

"Woody Allen sempre conseguiu atores fantásticos. As estrelas trabalhavam por um salário mínimo porque recebiam prestígio, mas com o movimento #MeToo, agora ele é tóxico", disse um produtor de cinema de Hollywood.

Além disso, o portal apontou que Allen já vinha tendo problemas para encontrar financiamento para seus filmes, inclusive antes do #MeToo, e que "suas produções não geram dinheiro".

"Durante anos, passou de um de um patrocinador para outro. Inclusive foi à Europa, mas já está sem opções", acrescentou a fonte.

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