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Mamie Gummer enfrenta a maratona de responder sobre a mãe Meryl Streep

Filme ‘Ricki and the Flash’ e os prós e contras de ser "filho de peixe, peixinho é"

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2015 | 04h00

CANCÚN - Não é necessário ser um especialista em leitura corporal para perceber que Mamie Gummer parece retraída ao ser rodeada por jornalistas de diferentes países do globo. A atriz de 32 anos não é uma recém-chegada à indústria, muito menos desconhece a rotina de entrevistas com perguntas sobre a mãe famosa dela, Meryl Streep. Ao estrelar um filme ao lado dela, contudo, a metralhadora de perguntas tem um mesmo alvo, a progenitora. E, contra isso, talvez ela não soubesse outra forma de enfrentar a não ser com os braços cruzados, o rosto fechado e mantendo a voz razoavelmente mais baixa do que o normal. 

Foram, ao longo de 15 minutos de entrevista, nada menos do que oito perguntas que envolviam a três vezes vencedora do Oscar. Não é para menos, por um lado, já que as duas interpretam mãe e filha em Ricki and the Flash: De Volta Para Casa, longa-metragem que chega aos cinemas brasileiros em 10 de setembro. A irritação parece aumentar a cada vez que a palavra “mãe” sai da boca de algum dos jornalistas presentes ali. A questão não é novidade para filhos de famosos que decidem seguir a profissão dos pais. A superexposição do cinema apenas joga mais luz a isso. 

“Sua mãe era ausente, como a personagem Ricki do filme?”, pergunta um. “Não”, respondeu ela, de forma rápida. “Vocês conversam sobre trabalho, atuação, numa mesa de jantar?”, tentou outro. “Na verdade, não.” Por fim, alguém fala do aparente elefante da sala: “Você é sempre tímida assim?”. 

Mamie se enrola para responder. Diz não se achar tão interessante para responder tantas perguntas sobre ela. Mas, no fim, as questões não são sobre a filha, mas sobre a mãe. O questionamento, contudo, é legítimo. E Mamie sabe disso. Explica que foi Meryl quem a convenceu a interpretar o papel de filha da roqueira Ricki, a mãe que abandona a família para seguir o sonho de viver de música. “Ela recebeu o roteiro de Diablo Cody, entregue pelo produtor Marc Platt. Ele sugeriu que ela e eu fizéssemos mãe e filha do filme”, contou. “Ela leu e simplesmente me entregou. Não disse nada. Da forma como isso aconteceu, entendi o tipo de pedido que ela tinha feito.” 

A atriz que decidiu usar o sobrenome do pai, Don Gummer, interpreta Julie, a filha de Ricki, uma garota que tenta ser o oposto da mãe. Se a matriarca saiu de casa para perseguir o sonho, ela decidiu fugir das suas vontades. O ponto de transformação na relação distante das duas – e roteiro da vencedora do Oscar por Juno – é quando a filha é dispensada pelo companheiro. No auge da fossa, a família entende que a garota precisa da presença da mãe. O encontro entre as duas personalidades distintas constrói o restante da trama. 

A relação entre Meryl e Mamie não ajudou a atriz mais jovem a se inspirar para interpretar sua personagem, contou ela, já que a mãe sempre esteve presente no seu crescimento e a relação nunca foi tão tempestuosa quanto a de Ricki e Julie. “Como é a relação com a minha mãe?”, repete Mamie. “Acho que cada um tem uma forma muito própria de se relacionar com a mãe. É claro que a gente brigou na vida, mas ela é minha mãe.” 

Mamie tem outras duas irmãs, e uma delas também é atriz. “Você fez um filme com o Tommy Lee Jones...”, começou um jornalista, interrompido por ela, com sorriso aparentemente genuíno. “Essa foi a minha irmã (Grace). Não se preocupe, acontece o tempo todo.” Ela diz amar música, praticar ioga e está adorando ler um livro de Wallace Stegner. Nada disso, contudo, conseguiu espaço diante das questões sobre Meryl. Os dramas de entrevistar filhos de peixe grande. “Eu tenho muita curiosidade sobre o mundo. Se fosse falar disso agora, ficaríamos até amanhã.” 

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