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Mais uma chance para ver 'Mary Poppins' nos cinemas brasileiros

Filme de Walt Disney passa nesta quarta, 15, em salas do País

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2015 | 14h39

A par de sua obra de animação, que resultou em clássicos como Branca de Neve e os Sete Anões e Fantasia, Walt Disney produziu muitos filmes de live action que compõem uma espécie de crônica da vida norte-americana dos anos 1940 aos 60. Os críticos consideram esses filmes açucarados e coniventes com o sonho americano de integração, de sucesso e dinheiro, mas muitos deles, assinados por Robert Stevenson, minimizados na época, para não dizer detestados, hoje revelam interessantes observações sobre a família média daquele tempo. Mas houve um filme de Disney, e Stevenson, que sempre foi incensado - Mary Poppins, de 1964. É a atração desta quarta-feira, 15, último dia, nas sessões de clássicos restaurados da Cinemark.

Foi a estreia de Julie Andrews e, de cara, aos 29 anos - nasceu em 1.º de outubro de 1935 -, ela ganhou o Oscar de melhor atriz, o que muita gente, na época, considerou um desagravo por ter sido substituída por Audrey Hepburn na adaptação do musical My Fair Lady, que ganhou os prêmios de melhor e diretor (George Cukor), mais um monte de estatuetas da Academia de Hollywood. Julie fizera Elisa Doolittle na Broadway, mas Jack Warner preferiu uma estrela (Audrey Hepburn), ao invés de uma principiante para seu filme mais ambicioso do ano (e de muitos anos). Hoje, sabe-se que a produção de Mary Poppins foi complicada e que Walt Disney teve muito trabalho para convencer a autora do livro, P.L. Travers, a vender os direitos e, depois, deixá-lo fazer o filmer como achava que devia ser feito. Tudo isso já foi contado num filme recente - Walt nos Bastidores de Mary Poppins/Saving Mr. Banks, com Emma Thompson e Tom Hanks (como o criador de Mickey).

Mary Poppins passa-se em Londres, em 1910. Conta a história de um pai que não tem muito tempo para o casal de filhos. A mãe quase não aparece, e por isso as crianças precisam de uma governanta. Elas escrevem uma carta pedindo uma governanta boazinha, que goste de brincar. O recado é claro - os filhos clamam por atenção, mas papai está muito preocupado com assuntos profissionais para se dar conta. Ele rasga a carta e joga na lareira, as cinzas saem pela chaminé e chegam à nuvem em que Julie Andrews, como Mary Poppins, está instalada com seu guarda-chuva e sua sacola. Mary atende o pedido das crianças. Torna-se sua governanta, arrasta-as a um mundo de aventuras - com o faz-tudo que conserta chaminés, Dick Van Dyke - e vai ficando até papai (David Tomlinson) se dar conta de que precisa dar mais atenção para Karen Dotric e Matthew Garber.

A grande sacada é que Mary possui poderes mágicos e leva as crianças para um mundo paralelo, recriado como animação na tela. A mistura de desenho animado e live action (carne e osso) ainda parece perfeita mais de 50 anos de desenvolvimento tecnológico depois - não é pouca coisa - e, além do Oscar para Julie, Mary Poppins ganhou também as estatuetas de trilha original (Richard M. Sherman e Robert B. Sherman), montagem (Cotton Warburton) e canção (Chim Chim Cheree e Supercalifragilisticexpialidocious). Há mais uma canção que só Julie Andrews consegue cantar - Spoonful of Sugar - e o filme é tão bonito que você vai lamentar que não tenha vencido também direção de arte e figurinos, mas era, afinal, o ano de My Fair Lady, que ganhou na categoria 'cor', e Zorba, o Grego, de Michael Cacoyannis, em preto e branco.

Bom como é, Mary Poppins não é o grande filme - o maior da Disney - celebrado por muitos críticos. E o problema, por incrível que pareça, talvez seja Julie Andrews. Por exigências da história - você vai ver como e por quê -, ela passa o filme refreando sua alegria de viver, justamente a característica mais marcante de sua personalidade, e que liberou, no ano seguinte, em A Noviça Rebelde, de Robert Wise, que venceu os Oscars de filme e direção e virou o sucesso planetário que todo mundo sabe. Isso não quer dizer que Julie não seja boa no filme de Disney e Stevenson. Seus números de canto e dança com Dick Van Dyke são ótimos, mas basta comparar com a Noviça para ver como lá ela é mais... Julie. Vale revê-la, e agora, com tudo o que se sabe sobre o 'processo' de Mary Poppins, vai ser difícil não ficar pensando em Emma Thompson, como P.L. Travers, xeretando no set em defesa de sua criação.

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