Mais um thriller de corte marcial

Morgan Freeman veio ao Brasil promover a estréia de Crimes em Primeiro Grau e disse que o filme não era sobre justiça, mas sobre a lei militar, que é algo diferente. É uma frase verdadeira, mas o filme é mais um thriller que tem parte da ação numa corte marcial, com um molho de conspiração e uma pitada de filme romântico. Ashley Judd, interpretando a advogada bem-sucedida Claire Kubik, é o centro do filme. Ela é uma mulher forte e inteligente que se arrisca mais do que percebe. Um dia, na beirada do Natal, prendem seu marido, Tom (Jim Caviezel, novamente entregue à sua expressão de olhos arregalados e à sensação que dá que não sabe bem o que está fazendo ali _ em Olhar de Anjo, onde fez um desmemoriado, isso pegou bem). O FBI pega-o em meio às compras e antes que possa dizer "o que é isso?", logo ele está na prisão de uma base militar, acusado de genocídio. Ele teria matado nove pessoas inocentes numa daquelas ações civilizadoras que forças especiais americanas fizeram em El Salvador. Diante do defensor inexperiente que alguém nomeou, Claire resolve ser a advogada do marido. Sem conhecer bem os meandros da Justiça Militar, ela recorre a um, digamos, colega. Ele é Charlie Grimes (Morgan Freeman), aquele personagem habitual, o esperto, experiente e bêbado especialista que, na hora H, pode virar o fio e sucumbir diante da tensão. Ou do seu passado revelado. Freeman, claro, empresta dignidade e autoridade ao personagem, perfumando-o com uma aura de humor sutil. Grimes e Claire avançam na investigação do caso e a cada passo que dão seu caso piora. Tom tem um passado nebuloso e embora suas alegações de que só fora uma testemunha da chacina passem incólumes por um detetor de mentiras, logo se sabe que ele foi treinado para mentir à máquina. Também não se sabe se os militares querem justiça ou um bode expiatório. Diz Grimes: "A Justiça Militar está para a Justiça assim como a música militar está para a música."Como em todo filme rotineiro do gênero, Crimes em Primeiro Grau fará os vilões pagarem por seus crimes. E dá para esperar por uma reviravolta final. É o tipo de filme que dá para ver sem ficar pulando irritado na cadeira. Não empolga, mas não chateia. O que é positivo. E tem Ashley Judd, cada vez mais uma equivalente feminina do herói de ação. Leia-se como elogio.

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