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Mais drama, uma ótima atriz: e não é que 'A Série Divergente: Insurgente' é bom?

Filme estreia em 803 salas brasileiras nesta quinta-feira, 19

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

19 Março 2015 | 03h00

Nove entre dez críticos vão descartar A Série Divergente: Insurgente como lixo cultural. O filme de Robert Schwendke, com certeza, não é. Como fenômeno de massa, inscreve-se na tendência de franquias como Jogos Vorazes e Maze Runner. Todas expressam a reação da juventude a um poder central autoritário. Jogos Vorazes possui um formato particular, porque os jogos, dentro do filme, se assemelham a um reality show. Embora os fãs não gostem que se diga, as paradas militares e demais encenações são bregas. Em Divergente/Insurgente, o reality show vira simulação. E, em Maze Runner, os monstros do labirinto introduzem o terror.

Todo esse universo ‘paralelo’ deriva da trilogia Matrix, mas essa é outra história. Insurgente tem um novo diretor, Robert Schwendke, que fez Te Amarei para Sempre e Red – Aposentados e Perigosos. Esqueça o segundo, concentre-se no primeiro. Te Amarei para Sempre é sobre um homem que viaja no tempo e a mulher que espera por ele. Tem tudo a ver com as simulações da realidade de Insurgente. Na série de Veronica Roth, o mundo futuro conseguiu resolver seus impasses dividindo a humanidade em facções. Cada uma cumpre uma função social. Mas existem os divergentes, e os sem facção. Quando o segundo filme começa, os divergentes já iniciaram sua guerra à elite dominante, cuja representante é Jeanine/Kate Winslet. Jeanine lança seus assassinos contra Tris/Shailene Woodley e seus amigos. Mas o que ocorre é que surge, entre os sem facção, uma nova liderança – Evelyn/Naomi Watts.

Para complicar, ela é mãe de Quatro/Theo James, o amado de Tris. Está disposta a sacrificar o filho, como já sacrificou no passado, para destituir Jeanine e se apossar do poder. Toda a arquitetura de Insurgente converge para um embate dramático. Os ancestrais deixaram uma relíquia, uma caixa com uma mensagem, que só pode ser aberta por Tris. São cinco provas, cada uma consistindo numa simulação. Tris atravessa todas, mas não sozinha. Precisa de aliados, e até seu irmão, Caleb/Ansel Elgort, deixa-se seduzir pelos argumentos de Jeanine. A mensagem, quando decifrada, introduz uma reviravolta na trama.

Insurgente tem mais ação que o primeiro filme. Mas talvez não tenha sido isso que atraiu Schwendke. Em Te Amarei para Sempre, ele já havia transformado as viagens no tempo de Eric Bana em investigações psicológicas. A psicologia soma, de novo. Até como decorrência do que fez no primeiro filme, Tris é devorada pela dor e pela culpa e isso faz com que Shailene, além da intensa demanda física do papel, tenha de expressar uma interioridade atormentada. E Schwendke? As viagens de Te Amarei para Sempre lhe deram as ferramentas para o conceito visual de Insurgente. Mais que o mundo ‘sob’ a cidade, o tom é dado pelas simulações. Um mundo pós-moderno, só de simulacros. Único problema. O filme propõe um universo sombrio que a viragem em 3-D não ajuda. Fica escuro. Em vários momentos, o espectador experimenta a tentação de tirar os óculos para ver, enfim, as cenas.

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