Brad Barket/AP
Brad Barket/AP

Maior cômico do cinema, Jerry Lewis é celebrado na programação da TV paga

Morte de ator e diretor completa dois anos nesta terça-feira, 20

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2019 | 10h57

Pergunte a Leandro Hassum e ele não vai vacilar. Jerry Lewis é o maior de todos. O maior cômico do cinema. Leandro tem entre suas grandes glórias haver conseguido que Jerry fizesse uma participação – como mensageiro de hotel – em Até Que a Sorte nos Separe 2, que filmou nos EUA, mais exatamente em Las Vegas. O velho mensageiro não foi um personagem aleatório. Em 1960, após mais de uma década, quase duas, fazendo shows em casas noturnas, tendo o próprio programa de rádio e brilhando na TV, que engatinhava, Jerry consolidara seu nome, primeiro em dupla com Dean Martin, depois numa carreira solo. Naquele ano decisivo, realizou o sonho de tornar-se diretor. O filme, Mensageiro Trapalhão.

Jerry Lewis morreu em 20 de agosto de 2017 – há dois anos. A TV paga lembra a data, e o canal de cults da Rede Telecine programou três filmes. O primeiro é justamente O Mensageiro Trapalhão, às 20h40. Será seguido por O Terror das Mulheres, às 22 h, e O Otário, às 23h45.

Jerry, como diretor, por mais elaborada que fosse sua mise-en-scene, não deixou de ser também (seu) ator. Como autor, obteve imediata consagração na França, onde seus filmes foram saudados como as obras-primas que são. Suas características – a crueldade de fazer rir de si mesmo; a paixão pelo espetáculo e a tentação de revelar ao público seu reverso, o décor; o desdobramento da personalidade ator/autor em múltiplos personagens; e o gosto pelo humor simultaneamente verbal, e visual.

Mensageiro Trapalhão

Jerry disse certa vez que seus mestres foram Stan Laurel e Frank Tashlin, que o dirigiu muitas vezes. Tinha verdadeira adoração pelo Magro, da dupla Gordo e o Magro, e aqui lhe presta homenagem por meio do personsagem de Bill Richmond, que será seu roteirista, mais que isso, seu cúmplice. Jerry mensageiro apronta todas. Uma sucessão de trapalhadas e o relato episódico implode o próprio conceito da 'história'. Jerry filmou no Hotel Fontainebleau, em Miami, onde se apresentava à noite como showman. Richmond e ele escreviam as cenas de madrugada. Foi, como contou mais tarde, um mês muito intenso (o período da filmagem).

O Terror das Mulheres

A primeira obra-prima, em 1961, a gente não esquece. Jerry e o matriarcado. Após sofrer uma rejeição amorosa, ele vai trabalhar como zelador, sem saber que se trata de um pensionato de garotas. Todas as mulheres do mundo, e a casa é uma personagem em si. O humor beira o surreal. Com o espanador, Jerry vai tirar o pó do quadro com as borboletas. O que se segue é mágico.

O Otário

Três anos – e alguns clássicos, como O Professor Aloprado - mais tarde, Jerry vira o carregador de malas de hotel escolhido para substituir famoso cômico que morreu num acidente de avião. Conseguirá ele preencher o lugar do cara em seu programa de TV? O 'otário', apesar de suas trapalhadas, é muito mais inteligente do que parece. Jerry num papel sob medida. Sempre tímido e desajeitado com as mulheres, ele encontra sua parceira talvez mais doce, Ina Balin.

 

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