Maior cidade da Nigéria volta a ter cinema

Lagos é a maior cidade da Nigéria e, segundo projeções da ONU, deve ser uma das cinco mais populosas do mundo até 2005. Mas, até recentemente, Lagos não tinha nenhum cinema. Isso é ainda mais surpreendente dado que os nigerianos amam assistir a filmes: o país é famoso por sua próspera e expansiva indústria de vídeo caseiro. Agora, no entanto, isso tudo mudou graças aos Cinemas Silverbird ? um complexo com cinco salas de projeção no coração da Ilha Vitória, que exibem os últimos lançamentos: atualmente, Tróia, Harry Potter 3 e Homem-Aranha 2.O homem responsável pela novidade, em meio ao caos que caracteriza Lagos com freqüência, é Ben Murray-Bruce, um empresário nigeriano que estudou nos Estados Unidos e que tem sua própria estação de rádio e de televisão. "Nunca existiu um complexo de cinemas na Nigéria. Na verdade, até agora os únicos complexos na África estão no Quênia e na África do Sul", ele disse. "Eu queria trazer o cinema de volta há mais de 20 anos. Eu achei que essa era a hora certa. Na área de entretenimento você vai trabalhar com seu instinto."Existiam cinemas em Lagos nos anos 60, mas eles começaram a sair do negócio na década de 70, em parte, por causa das dificuldades de operar sob uma ditadura militar. Salas de cinema em várias partes do país foram fechadas e hoje muitas são usadas como igrejas pentecostais ou centros de educação islâmicos.Mas, mesmo com o entusiasmo de Murray-Bruce, esse não foi o projeto mais fácil para ser tocado. A Nigéria tem um fornecimento de energia instável, o que significa que sete geradores foram instalados para garantir que os filmes não parem no meio e que o ar-condicionado não estrague.Murray-Bruce também teve que convencer os distribuidores de que é seguro enviar fitas para Lagos em meio à pirataria de DVDs de filmes de Hollywood.A maioria dessas cópias piratas é feita por pessoas que vão ao cinema com uma câmera de vídeo."A justificativa que eu uso para os estúdios é esta: se você fornece um produto, talvez ele seja pirateado. Mas se você não fornece, então é garantido que será pirateado. E, de qualquer maneira, com o retorno da bilheteria que nós temos agora, eles estão convencidos de que têm um bom negócio em suas mãos", afirma Murray-Bruce. Mas, por uma questão de segurança, sacolas não são permitidas no cinema ? porque podem conter uma câmera escondida.Murray-Bruce está muito satisfeito com a reação do público. "A qualquer momento em que eu saio, as pessoas vêm me agradecer", comentou o empresário, enquanto era elogiado por uma mulher de meia-idade que o abordou apenas para dizer o quanto estava feliz pela volta do cinema à cidade."O que me dá mais prazer é ver casais, em seus 30, 40, 50 anos, vindo aqui, assistindo aos filmes e segurando as mãos." O empresário espera poder, em breve, expandir seu negócio e abrir complexos de cinema em Port Harcourt e na capital, Abuja.

Agencia Estado,

03 de agosto de 2004 | 12h00

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