Magia dos Rolling Stones abre Festival de Cinema de Berlim

Martin Scorsese leva a magia dos Rolling Stones à telona com "Shine a Light", filme de duas horas que mostra os veteranos roqueiros britânicos fazendo o que sabem num teatro lotado em Nova York. Filmado com 17 câmeras durante dois concertos da banda no pequeno Beacon Theater em 2006, o documentário abre o Festival anual de Cinema de Berlim nesta quinta-feira -- um início apropriado para uma maratona cinematográfica de 11 dias que será rica em rock'n'roll. Madonna é aguardada em Berlim para exibir seu primeiro filme como diretora, e o festival também terá filmes sobre a cantora Patti Smith, a banda indie britânica Gorillaz e um grupo de heavy metal de Bagdá. Os jornalistas que assistiram a "Shine a Light" numa sessão prévia à sua estréia de gala viram os quatro roqueiros sessentões filmados de todos os ângulos possíveis para o filme, cujo título é derivado de uma canção de seu álbum "Exile on Main Street", de 1972. Mick Jagger, que está com 64 anos, desafia sua idade, dançando e fazendo caras e bocas ao longo de uma sequência de sucessos que incluem "Jumpin' Jack Flash", "Brown Sugar" e "Start Me Up", enquanto o guitarrista Keith Richards sorri com malícia. Scorsese vem usando músicas dos Stones desde o início de sua carreira, o que levou Jagger a brincar, dizendo que "Shine a Light" foi o único filme do diretor a não incluir a canção "Gimme Shelter". "A música foi parte importante da minha vida ao longo dos anos 1960", disse Scorsese aos jornalistas. "Ela se tornou a base da maior parte do trabalho que já fiz em meus filmes, desde 'Caminhos Perigosos' e 'Touro Indomável' até 'Casino' e 'Os Infiltrados"'. Scorsese acrescentou clipes curtos em preto e branco entremeados com canções, mostrando Jagger ou Richards, ainda jovens, respondendo a perguntas com frequência tolas ou repetitivas de jornalistas de todo o mundo. Dois anos depois de formada a banda, Jagger foi indagado por quanto tempo ela poderia continuar. "Não sei", ele respondeu. "Acho que estamos bem preparados para pelo menos mais um ano." Em outra entrevista, ele foi perguntado: "Você consegue se imaginar aos 60 anos de idade, fazendo o que você faz hoje?" Jagger respondeu: "Consigo, facilmente." Quem se mostra menos à vontade diante da câmera é o baterista Charlie Watts, que, com 66 anos, é o mais velho dos Stones. "Odiei, mas foi muito bem filmado", disse ele, indagado sobre o que achou da experiência de fazer o filme. "Detestei fazer isso, como detesto estar sentado aqui, por exemplo."

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