Jean-Paul Pelissier/Reuters
Jean-Paul Pelissier/Reuters

'Mães Paralelas': novo filme de Almodóvar vai brigar pelo Leão de Ouro

Longa com Penélope Cruz é drama carregado de segredos no Festival de Veneza

AFP, Agências

29 de agosto de 2021 | 05h00

O Festival de Cinema de Veneza começa na quarta-feira, 1º, com o mais recente filme de Pedro Almodóvar, Mães Paralelas, um retrato sobre as maternidades, uma história que “emocionará muito”, afirmou nesta sexta-feira, 27, o cineasta espanhol em uma longa entrevista ao jornal italiano La Repubblica.

“É um filme sobre a identidade”, contou o diretor, que compete pelo Leão de Ouro, depois de ter recebido em 2019 um troféu honorário, gesto que confirma sua excelente relação com os organizadores de um dos festivais mais renomados e antigos do mundo.

O filme “fala de uma verdade pessoal e de uma verdade histórica. De ancestrais e descendentes. No centro, o dilema moral de uma mulher que quer encontrar o corpo do bisavô assassinado pelos franquistas durante a Guerra Civil (Espanhola, 1936-1939), mas, ao mesmo tempo, enfrenta um segredo íntimo e incômodo”, resumiu o cineasta.

Escrito durante a pandemia, o roteiro aborda o tema da memória coletiva e os massacres franquistas, mas “é essencialmente um filme sobre a maternidade”, conta o diretor espanhol de 71 anos. São duas mulheres que dão à luz: uma fotógrafa solteira de 40 anos (vivida por Penélope Cruz), que engravidou por desejo próprio, e uma menor (Milena Smit), grávida sem ter desejado.

“Da personagem interpretada por Penélope, eu estava interessado em mostrar o conflito entre duas verdades e a dor para resolvê-lo”, contou Almodóvar ao jornal italiano. “É uma mulher cuja vida se cruza com a de um outro tipo de mãe, adolescente e desprovida de instinto maternal.” 

Perguntado sobre seu fascínio por figuras maternas, o cineasta creditou a influência de suas memórias. “São histórias do bairro onde vivi. Histórias de traições, suicídios, incesto. Acho que as personagens femininas dos meus filmes são uma transposição daquelas mulheres fortes que ouvia nos pátios quando criança.”

Almodóvar contou ainda ao La Repubblica que escreveu o roteiro enquanto convalescia da covid. “Peguei o vírus, mas com sintomas bem leves. Passei semanas refazendo aquela história que havia deixado de lado. Não tinha mais compromissos, nem de trabalho nem particular: condição ideal para me concentrar”, comentou.

Depois do sucesso de Dor e Glória, no qual ele mesmo incorporou seu personagem, Almodóvar retorna ao tema da maternidade para abordar também uma questão política: os milhares de desaparecidos durante a guerra civil e a ditadura na Espanha.

 

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