Madonna traz 'sabedoria' e tumulto ao Festival de Berlim

'Filth and Wisdom' (Imundície e Sabedoria) é o primeiro longa-metragem dirigido pela pop star

Flávia Guerra, de O Estado de S. Paulo,

08 Fevereiro 2013 | 10h09

"Não há sabedoria sem filth. Não há luz sem escuridão." E foi assim, sabiamente, que Madonna escolheu para encerrar seu primeiro longa-metragem, Filth and Wisdom (Imundície e Sabedoria), que teve sua primeira exibição, nesta quarta-feira, 13, somente para a imprensa, no Festival de Cinema de Berlim.   A sessão do longa, que integra a mostra não competitiva Panorama (que ganha apenas o prêmio do público), estava prevista para começar (e de fato começou) às 10h15. Porém, às 09h30 havia fila na entrada da sala e mais de 60 jornalistas ficaram de fora. O desapontamento foi geral, obviamente, quando a organização da Berlinale afirmou que não haveria sessão extra para a imprensa nesta quarta.   Os que entraram e os que ficaram de fora vão ter ainda mais uma maratona pela frente. A coletiva de imprensa, na qual estará presente a cantora e o elenco de seu filme, está prevista para às 17 horas desta quarta. Mas "é recomendável chegar as 16h15", como afirma o convite oficial da organização. À noite, em seguida, ocorre a première do filme, o chamado "tapete vermelho", onde já podemos esperar mais tumulto.   A Berlinale, que andou tranqüila no fim de semana, quando o nome mais ‘estelar’ foi o de Penélope Cruz (que protagoniza Elegy), ganha novamente a animação que marcou a abertura, na quinta, quando os Rolling Stones e Martin Scorsese deram inicio a maratona cinéfila, com a exibição do documentário do cineasta sobre o grupo, Shine a Light.   De volta a Filth and Wisdom, "e não é que o filme é bom", diziam os jornalistas no final da sessão. Dirigido, produzido e co-escrito por Madonna, o filme é protagonizado por Eugene Hutz, que divide a cena com Holly Weston, Vicky McClure, Richard E. Grant, Stephen Graham, Inder Manocha, Shobu Kapoor.   Para resumir, é uma comédia, meio de costumes, meio ácida, meio ingênua, sobre um cantor ucraniano que quer fazer sua vida em Londres. Na diversa e efervescente capital inglesa, conhece outros solitários e sonhadores, como suas colegas de quarto Juliette e Holly. Uma trabalha em uma farmácia e sonha em ajudar as crianças pobres da África; a outra sonha em ser atriz e bailarina, mas tudo que consegue, por ora, é um emprego como dançarina (vejam só... Não é só na novela Duas Caras que a pole dance está em alta!) de um cabaré. No fim, é uma despretensiosa brincadeira cinematográfica de Madonna. Divertido, leve e bem sacado, tem tudo para ser, como a diretora, sucesso de público.   Vale lembrar que Hutz, o protagonista, é de fato cantor e lidera a banda Gogol Bordello. Esta, aliás, não é sua estréia no cinema. Hutz jé dividiu a cena com o ator Elijah Wood em Everything Is Illuminated, de Liev Schreiber. Nascido na cidade Bojarka, próxima de Kiev, em 1972, é filho de um açougueiro que também tocava guitarra. Nascida na cena rock underground, a Gogol Bordello acabou se tornando fenômeno da música cult e já tocou em festivais pelo mundo, como os emblemáticos Reading, Leeds, Coachella, e Glastonbury.

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