Madonna fala de filho adotado e situação do Malauí em novo filme

Um único telefonema levou a popstarnorte-americana Madonna a iniciar um trabalho humanitário noMalauí. E, foi enquanto fazia um documentário sobre os milharesde órfãos no país africano, que ela conheceu o bebê queresolveu adotar. "I Am Because We Are", que faz sua estréia no Festival deCinema Tribeca, em Nova York, nesta quinta-feira, foi escrito,produzido e narrado por Madonna e examina a situação dascrianças órfãs devida à crise da Aids em um dos países maispobres do mundo. O interesse de Madonna pelo Malauí começou há cerca de doisanos, quando ela foi contatada por uma empresária nascida ecriada no país e que lhe foi indicada por uma amiga em comum."Ela disse que era um estado de emergência", conta Madonna nofilme. "Soava exausta e à beira das lágrimas. Perguntei como eupoderia ajudar." "Ela falou: 'Você é uma pessoa de posses. As pessoasprestam atenção ao que você diz e faz.' Me senti sem jeito. Eudisse a ela que não sabia onde ficava o Malauí. Ela me mandouolhar no mapa e então desligou", disse Madonna, 49 anos. Madonna se informou sobre o Malauí, e o resultado foi acriação de uma organização chamada Raising Malawi, voltada aajudar os órfãos do país, e o documentário de 94 minutosdirigido pelo estreante Nathan Rissman. "Foi durante as filmagens, enquanto pesquisava osdiferentes orfanatos, que ela conheceu David", contou Rissmanem entrevista. David é o menino malauiano que Madonna e seu marido, ocineasta Guy Ritchie, estão adotando. Ele vive com o casal emLondres há 18 meses, pouco depois de iniciar o processo deadoção. O governo do Malauí, que foi criticado por dar tratamentopreferencial à cantora e atriz, já recomendou que a adoção sejaaprovada. Uma audiência sobre o assunto foi marcada para 15 demaio. "I Am Because We Are" inclui imagens de David sendo cuidadopor uma menina soropositiva de 9 anos no orfanato Home of Hope,no Malauí. No documentário, Madonna fala que a mãe de David morreu aodar à luz, que três de seus irmãos já morreram e que oparadeiro de seu pai era desconhecido. Quando retornou ao orfanato, três meses de vê-lo pelaprimeira vez, Madonna disse que o bebê "sofria de pneumonia,malária e só Deus sabe mais o quê" e que não havia remédiospara tratá-lo. "O que eu estava preparada para fazer?" ela indaga nofilme. "Se estava desafiando outras pessoas a abrirem as mentese os corações, eu mesma tinha que ser a primeira a fazê-lo.Decidi tentar adotá-lo. O resto já virou história." O documentário tenta encerrar controvérsias. Críticosacusaram o governo de passar por cima das leis que proíbempessoas não residentes no país de adotar crianças do Malauí. O pai de David se apresentou, dizendo que deixara seu filhono orfanato apenas temporariamente. Desde então, porém, eleautorizou a adoção. Entre os entrevistados em "I Am Because We Are" estão oex-presidente americano Bill Clinton, o Prêmio Nobel da PazDesmond Tutu, Paul Farmer, da Escola de Medicina Harvard, eJeffrey Sachs, diretor do Instituto da Terra e assessorespecial da ONU.

MICHELLE NICHOLS, REUTERS

08 de abril de 2024 | 16h28

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