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'Madame' faz humor com a luta de classes

Existem detalhes interessantes que elevam comédia com Rossy de Palma, mas pouca gente parece se dar conta

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2018 | 22h26

Ex-mulher de Patrick Bruehl, com quem dois filhos, Amanda Sthers estava no Stade de France com os meninos quando houve aquela noite de terror em Paris. Diretora, roteirista, dramaturga, foi chamada em rádios e TVs para dar sua versão do ocorrido. Ganhou popularidade, e respeito, por fugir às análises populistas e paranoicas. Amanda escreve e dirige Madame, que estreou na quinta, 29. Seu filme recebeu pancadas da crítica. Seria uma versão morna de Cinderela.

Não é por aí. Tem mais a ver com a luta de classes - Que Horas Ela Volta?. O filme começa como uma homenagem à grande comédia italiana, mas pouca gente dá-se conta disso. Em Uma Vida Difícil, de Dino Risi, de 1961, Alberto Sordi também é chamado a integrar uma mesa só para fugir ao fatídico número de 13 convidados. Sua vida nunca mais será a mesma. É o que ocorre com Rossy de Palma, a ‘picasseana’ estrela de Pedro Almodóvar, na comédia de Amanda. Sua supersticiosa patroa, Toni Collette, ao descobrir que serão 13 à mesa, exige que a governanta tome assento entre os convidados, mas lhe recomenda que fique com a boca calada.

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Rossy, após umas taças de vinhos, conta piadas e seduz um convidado importante - o historiador de arte que está ali para avalizar a venda de um Caravaggio que o dono da casa, atolado em dívidas, tem de vender para tentar salvar as finanças. Madame, isto é, Toni surta ao ver a inesperada comunhão de classes. Seu enteado aproveita para lançar uma farpa e lembrar que a madrasta sempre foi fã da sacerdotiza do neoliberalismo, a dama de ferro Margaret Thatcher.

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Tudo segue mais ou menos o figurino em Madame, incluindo a mesquinharia a que Toni Collette pode chegar para desmascarar sua doméstica. Sim, ela obriga Rossy a servir o chá ao pretendente - ó, horror. Mas existem atenuantes. O enteado é escritor, está em crise de inspiração e potencializa, na rivalidade entre a madrasta e a governanta, o tema do próximo romance, The Maid. Como vai terminar, pergunta o editor, e o leitor também deve estar se fazendo a pergunta. Não é exatamente um happy end. Por quê? Esperavam que fosse? Amanda faz piada com imigrantes espanhóis. Cita Antonio (Banderas) e Pedro. Arrisca-se a ser chamada de machista. Quando Toni diz que Rossy é feia, Harvey Keitel diz que ela tem a ‘great ass’, uma bela b... Madame não é ruim como dizem. Tem seu charme.

 

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