"Machuca" apresenta os conflitos da ditadura chilena

Machuca, de Andrés Wood, estréia hoje em São Paulo e no Rio, com 12 cópias. "Eu não tinha nenhuma consciência política, mas senti duramente os efeitos do golpe, como a escassez de alimentos que logo tomou conta do país", contou Wood sobre o golpe militar liderado por Augusto Pinochet que derrubou o socialista Salvador Allende, que aconteceu quando ele tinha 7 anos. Gonzalo Infante, um dos personagens principais do filme, é alter ego do diretor. Na história, ele é um garoto de família rica cuja rotina é alterada quando o colégio em que estuda, comandado por um padre inglês, recebe garotos pobres, moradores de uma favela próxima. Entre eles, Pedro Machuca com quem Gonzalo vai desenvolver uma afinidade, apesar do enorme abismo social que os separa. A decisão de contar a história de uma amizade não seguiu apenas os desejos de rememorar o passado - Wood aproveitou o fio condutor para tocar em um tema ainda controverso no Chile, a deposição de Allende e a ditadura Pinochet. "Mesmo depois da redemocratização do país, a política não era um assunto abordado pelo cinema, pois se acreditava que não levaria ninguém às salas de exibição. Outro motivo, muito importante, é a divisão entre aqueles que são a favor e os que são contra Pinochet, aqueles que sabem que houve tortura e os que a negam", explica. Assim, com os fatos históricos ocupando o fundo do enredo, Machuca tornou-se um enorme sucesso no Chile (700 mil espectadores em 25 semanas), estendendo-se para diversos países europeus e latino-americanos. O filme pode ser um dos indicados ao Oscar de filme estrangeiro.

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