Machline quer filmar longa-metragem no Brasil

A indicação de Uma História de Futebol para o Oscar de melhor curta-metragem chegou no momento em que o diretor Paulo Machline já está trabalhando no projeto de dois longas, ainda sem título. O roteiro do primeiro foi escrito por uma americana e trata da adaptação de obras literárias para o cinema. Machline foi convidado para a direção, mas ainda não fala deste trabalho com muito entusiasmo. "Este longa seria todo rodado nos Estados Unidos, quando o que eu mais quero é voltar a filmar no Brasil." Assim, o filme que pode trazer o diretor de volta ao País é uma paródia sobre as novelas brasileiras que já está sendo escrita pelo próprio Machline em parceria com o roteirista Mauricio Zacarias. Até ontem, Paulo Machline não havia recebido nenhum comunicado oficial da Academia de Hollywood sobre a indicação de seu curta-metragem. Por isso ele ainda não sabe a quantos lugares terá direito no disputadíssimo auditório do Shrine Auditorium, em Los Angeles, na festa do dia 25 de março. "Tudo para mim ainda parece um sonho. Quando eu resolvi fazer este curta, eu tinha medo de que nem minha própria mãe gostasse dele."Machline inscreveu Uma História de Futebol para concorrer ao Oscar em setembro do ano passado. Segundo o diretor, não houve nenhuma estratégia para que o filme surgisse entre os cinco concorrentes ao prêmio. "Sempre ouvi histórias mirabolantes de lobby. Mas isto parece não funcionar para os curtas. A gente inscreve o trabalho e fica rezando para que ele seja escolhido."Na noite de segunda-feira, véspera do anúncio dos indicados, já nervoso, Machline resolveu ir ao cinema. Assistiu ao filme Chocolate (também indicado) e foi jantar com Marcelo Zarvos, autor da trilha de Uma História de Futebol. Tomaram uma garrafa de vinho e, no caminho para casa, Machline ainda passou em uma farmácia para comprar remédios para dormir. Mesmo com o comprimido, dormiu apenas duas horas. Ainda estava meio sonado quando acessou a Internet, às 8h30 da manhã de ontem, e viu que seu curta chegara lá. Nunca uma noite maldormida foi tão merecidamente comemorada.

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