Luana vai ao futebol, em comédia de Bruno Barreto

Logo na abertura de Palmeiras ? Um Caso de Amor, o livro-conto de Mario Prata que vai virar filme de Bruno Barreto com o título de O Casamento de Romeu e Julieta, o herói corintiano fica siderado por aquela loira palmeirense. Quando ela explode numa gargalhada, ele decide que o objetivo de sua vida, daí para a frente, será fazer ?Riane rir?. Você pode jurar que o diretor Barreto quis fazer o filme só por essa frase. Como seu ídolo François Truffaut, Bruno é um homem que ama as mulheres. Ele concorda que a frase foi decisiva na sua decisão de filmar O Casamento de Romeu e Julieta, mas, desta vez, é outro diretor que pretende homenagear ? o italiano Pietro Germi.Barreto contou essas coisas na sala do Hotel Caesar Park, onde o projeto foi lançado, ontem de manhã. Até os dirigentes do Corinthians e do Palmeiras se esqueceram, por um momento, da rivalidade e prestigiaram o lançamento. ?Vamos precisar da colaboração dos dois clubes?, ressaltou a produtora Paula Barreto. Será um filme caro, para os padrões do cinema brasileiro ? R$ 9 milhões ?, mas barato em comparação com as incursões de Bruno Barreto pelo cinema americano. Ele está tão empenhado que participa do corpo a corpo da irmã com diretores de Marketing de diversas empresas, para levantar a verba da produção. Parcerias importantes estão definidas: a Miravista, divisão da The Walt Disney Company América Latina, participa da produção e, por conta disso, o filme será distribuído pela Buena Vista International. Um terço do orçamento ? R$ 3 milhões ? vem daí.Não será um filme sobre futebol, esclarece o diretor, mas um filme sobre paixão: a dupla paixão de um pai, por sua filha e pelo Palmeiras. A história estabelece um triângulo: pai, filha e o namorado dela, um órfão que termina identificando no sogrão o pai que nunca teve. Serão interpretados por Luiz Gustavo, Luana Piovani e Taumaturgo Ferreira. Na origem da trama está uma pequena mentira que assume proporções imensas. Diante daquele mulherão ? Luana ?, Taumaturgo acha que não fará mal dizer que é palmeirense, mesmo sendo corintiano roxo. A mentira gera uma série de equívocos e mal-entendidos, mas Barreto avisa: no fim não tem arreglo. A idéia do filme é a aceitação da diferença.Luis Gustavo está entusiasmado com o projeto. Há tempos ele viu na Argentina uma peça chamada Hablemos al Calzón Quitado. Tentou adquirir os direitos para montá-la no Brasil, mas não conseguiu. Quando recebeu o roteiro de O Casamento, descobriu que seu personagem ? o apaixonado e explosivo Bargatti, advogado descendente de italianos ? era igualzinho ao que o atraiu na peça. ?Vou fazer agora no cinema o tipo que não criei no palco?, diz. Ele também acha excitante retratar na tela a tensão entre corintianos e palmeirenes. ?Isso é uma coisa daqui de São Paulo?, avalia. ?No Rio, a rivalidade entre Flamengo e Fluminense não é a mesma coisa. O Fla-Flu é festa, Corinthians X Palmeiras é guerra e o meu personagem é um general dessa guerra.?Embora os personagens se chamem Romeu e Julieta e exista, como pano de fundo, a rivalidade entre duas torcidas que poderiam passar por Capuletos e Montechios, esse Casamento não tem nada a ver com a tragédia lírica de Shakespeare. Julieta, por exemplo, foi batizada assim em homenagem a dois grandes atletas do Palmeiras, Julinho e Echevarrietta. Com este filme, Bruno Barreto realiza o sonho de voltar a São Paulo, quase 20 anos depois de Além da Paixão, de 1985. Ele começa a filmar em fevereiro e tem como limite de rodagem o fim de março, pois em abril Luana está comprometida com a excursão que a peça Alice no País das Maravilhas vai fazer pelo Brasil.Fascinado pela dramaturgia paulistana ? de Abílio Pereira de Almeida a Juca de Oliveira e Marco Caruso ?, Barreto confessa que, se não vivesse em Nova York, São Paulo é o lugar onde gostaria de morar. ?Adoro comer bem?, justifica. Acrescenta que O Casamento não será uma comédia romântica, mas uma comédia de costumes, à italiana. Barreto ama Parente É Serpente, de Mario Monicelli, mas seu modelo, aqui, será Pietro Germi. Ele assistiu a todos os filmes do cineasta, numa retrospectiva realizada há dois anos, em Nova York. Amou. Cita Federico Fellini, que dizia que o subestimado Germi era um dos gênios do cinema italiano. Em homenagem a Germi, diz que O Casamento poderia chamar-se Um Maledetto Imbroglio, como o filme do diretor que passou no País como Aquele Caso Maldito.

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