Luana Piovani vira Julieta e Marco Ricca, Romeu

Romeu e Julieta saíram de Verona pelas mãos de William Shakespeare, passaram por Nova York em West Side Story e chegaram a São Paulo. Abrigaram-se nas torcidas do Palmeiras e do Corinthians e podem até ter um final feliz. A história dos amantes rivais é a base de O Casamento de Romeu e Julieta, o próximo filme de Bruno Barreto, a ser rodado em São Paulo, de fevereiro a março do ano que vem. No elenco, Luana Piovani e Marco Ricca como o casal protagonista, e Luiz Gustavo como o pai dela. É a primeira produção de Paula Barreto, irmã de Bruno, com orçamento de R$ 8 milhões e estréia prevista para outubro de 2004.Paula foi criada entre o cinema e o futebol (é casada com Claudio Adão, craque dos anos 80, que será consultor para as cenas das partidas entre os dois times), mas só agora decidiu produzir seu primeiro filme, num esquema pouco comum no cinema nacional. A idéia, a busca dos patrocínios, a escolha do elenco e até do irmão como diretor passaram por seu crivo. ?Trabalho com meus pais, na LC Barreto, desde a adolescência e já de fiz tudo em filmes?, conta a produtora. ?Mas só agora me senti preparada para meu primeiro filme, até porque é difícil encontrar uma história boa.? Esta parecia predestinada a ela. No ano passado, quando a LC Barreto fez o documentário sobre os cem anos do Fluminense, chamou o jornalista Nelson Motta para narrar, mas ele, tricolor histórico, recusou porque escrevia sobre o clube para a coleção da Geração Conteúdo que contava a história dos grandes times brasileiros. Interessada em filmá-las, Paula leu os livros já lançados e se apaixonou pelo que Mário Prata escreveu sobre o Palmeiras.Uma homenagem a São Paulo - ?Ali tinha um longa pronto. Ele inventou um corintiano que teve que aprender tudo sobre o arqui-rival para conquistar uma torcedora do Palmeiras. É uma comédia romântica, mas algum drama e cenas de futebol. Não muitas porque é caríssimo produzi-las e o filme não é sobre o esporte e sim sobre encontros e desencontros de dois apaixonados?, adianta Paula, que presta uma homenagem aos 450 anos que São Paulo está completando. ?Está para a cidade assim como ?Bossa Nova?, filme anterior do Bruno aqui no Brasil, está para o Rio de Janeiro.?Ela abriu caminhos para sua primeira produção ? dos R$ 8 milhões, apenas R$ 500 mil vieram de estatal, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O grosso se dividiu entre a distribuidora Buena Vista (da Disney), o Bradesco e a Pirelli. ?O orçamento tem poucas cotas e a parceria com a iniciativa privada não é novidade. Era assim no início da Lei do Audiovisual. O Quatrilho não teve financiamento de estatal?, conta ela. Mesmo assim, não faltou aflição para cumprir os prazos previstos. ?Até outubro, não tinha firmado os contratos e os atores não tinham outra data disponível. A tensão aumentou quando o Bruno recebeu um convite para filmar nos Estados Unidos na mesma época. Felizmente, a Buena Vista adiantou sua parte, num voto de confiança?, afirmou.Antes mesmo de filmar, Paula sonha alto: ?A história se passa em São Paulo, mas é universal. Quero que se pague no Brasil e só vou mandá-lo para festivais internacionais depois que cumprir carreira aqui. Minha meta é seis milhões de espectadores?, calcula ela, que já estava na produção de Dona Flor e Seus Dois Maridos, também de Bruno Barreto, recorde de público nacional ? 12 milhões de pessoas, nos anos 70, quando a população brasileira era um terço menor. Paula Barreto reconhece que os tempos são outros, com a ousadia de quem é do ramo. ?Se o filme Carandiru já fez três milhões de espectadores, Titanic passou de dez milhões... temos muito espaço para crescer e vamos ocupá-lo.?

Agencia Estado,

26 de dezembro de 2003 | 15h08

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