LP de Lula Côrtes e Zé Ramalho é tema de documentário

'Nas Paredes da Pedra Encantada' estreia dia 30 de abril no festival de documentário musical In-Edit

Julia Baptista - Estadão.com.br,

28 de março de 2011 | 19h33

Hoje, 28, seria comprada a passagem para Lula Côrtes voar de Recife a São Paulo, onde iria participar da estreia do documentário Nas Paredes da Pedra Encantada, dirigido por Cristiano Bastos e Leonardo Bonfim, sobre o disco que ele lançou em 1975 com Zé Ramalho. A estreia do longa acontece às 19h30 do dia 30 de abril no festival In-Edit - Festival Internacional de Documentário Musical. Mas tudo mudou na madrugada do último sábado, quando Lula Côrtes, vencido por um câncer na garganta, morreu aos 61 anos.

 

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"Ele estaria junto comigo na sessão de estreia, falando da aventura que foi fazer Paêbiru - Caminho da Montanha do Sol", afirmou Cristiano. "Seria um grande presente que daríamos a ele". E é sobre essa aventura que conta o filme, que investiga não só a riqueza musical de Paêbirú mas também o imaginário particular do interior da Paraíba e o momento psicodélico dos anos 70 na ponte entre Recife e João Pessoa.

A obra de 1975 é composta por dois vinis, um livro com estudos geológicos sobre a pedra de Ingá do Bacamarte, na Paraíba, fotos em infravermelho do local e estudos antropológicos da região. Paêbiru é hoje cultuado e raro, chegando a valer R$ 5 mil no mercado de colecionadores. Tal valor pode ser explicado também pelo fato de que, das 1.300 cópias produzidas na época, mil se perderam em uma enchente que atingiu a gravadora. O disco pode ser baixado na internet.

A ideia de fazer um documentário surgiu em 2008, quando Cristiano publicou a matéria Agreste Psicodélico sobre o disco mítico, que ele considera "a mais ambiciosa e fantástica incursão psicodélica da música brasileira". "Cheguei à conclusão de que uma grande reportagem não daria conta de abordar um disco tão rico e as histórias que o envolvem", conta. Cristiano conheceu Lula naquele ano, durante uma viagem a Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana de Recife (PE), onde o artista tinha o seu ateliê.

A produção, gravação e edição do longa, que tem duas horas de duração, custaram R$ 40 mil, que Cristiano tirou do próprio bolso. "Mas valeu, não reclamo não". Cristiano acredita que a exibição de Nas Paredes da Pedra Encantada vai causar muita comoção entre familiares e amigos de Lula. 'Ele tinha um séquito de pessoas que amavam a obra dele".

Cristiano conta que fazer o filme foi uma aventura tão grande quanto a do disco. "Quase fomos presos. Estávamos filmando em Ingá do Bacamarte quando fomos confundidos com ladrões de banco. O prefeito teve que liberar a gente". Ingá do Bacamarte, no agreste paraibano, é um lugar envolto no misticismo de uma pedra talhada com signos pré-milenares.

 

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