Jason Redmond/Reuters
Jason Redmond/Reuters

Lovelace, sem mitos

Filme lembra ‘Garganta Profunda’ na visão de sua maior estrela

Flavia Guerra, O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2013 | 07h55

Com milhões de espectadores em todo o mundo e US$ 600 milhões arrecadados, o filme erótico mais visto da história foi capaz de provocar uma revolução de costumes nos anos 1970 e de levar até as personalidades mais recatadas aos cinemas eróticos. Foi assistido em todo o mundo, proibido, debatido, escrutinado em um documentário (Por Dentro da Garganta Profunda, 2004) e é, até hoje, cultuado. 

Garganta Profunda, um dos filmes mais cults da história. A questão que até hoje perdura é: por quê? “Este é um filme como qualquer outro. Só tem coisas melhores. Como eu”, tentou responder, e ao mesmo tempo desmistificar a obra, sua maior estrela, Linda Lovelace, a uma jornalista que a interrogou à época da explosão do longa dirigido por Gerard Damiano em 1972. 

Talvez Garganta Profunda tenha se tornado um fenômeno por sua capacidade, até mesmo involuntária, de romper padrões e estar na tela certa, na hora certa, quando o mundo, em plena revolução sexual, via pela primeira vez a busca do prazer feminino ser discutido abertamente. Ou talvez porque foi pioneiro ao ser estrelado pela ‘garota da casa ao lado’ e, assim, alimentado as fantasias dos que sonham com a menina comum que se revela uma expert no sexo. E é exatamente a história da garota comum que ganhou fama mundial e se tornou a atriz pornô mais conhecida do mundo que conta Lovelace, filme que estreia nesta sexta nos cinemas norte-americanos e chega ao Brasil no próximo dia 30.

Estrelado por Amanda Seyfried, (de Mamma Mia! e Os Miseráveis), Lovelace apresenta mais uma das facetas que cercaram os bastidores do clássico erótico. “Mostra a versão de Linda para os fatos. O quanto ela foi protagonista de uma história que envolvia muito mais que erotismo, que foi cercada de abuso, violência e degradação. Ela sofreu e lutou muito para se livrar das garras de seu marido opressor, que a forçou a fazer muita coisa”, comentou Amanda em entrevista ao Estado, em fevereiro, durante o Festival de Berlim, no qual o filme integrou a mostra Panorama. “Vi Garganta Profunda só quando já estava no processo de Lovelace. Confesso que achei um pouco chato, um tanto quanto inocente até. Tem cara de ‘vida real’. E muito por isso Linda era considerada uma ‘estrela real’ na época.”

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