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Longa de Sérgio Machado sobre a Orquestra de Heliópolis faz sucesso no exterior

'Tudo Que Aprendemos Juntos', com Lázaro Ramos, será exibido na Espanha

EFE

03 de agosto de 2016 | 17h25

Mudar a vida de milhares de crianças de Heliópolis, a maior favela de São Paulo, criando há duas décadas uma orquestra que chegou a tocar para o papa. Esse “milagre” de Silvio Baccarelli inspirou o brasileiro Sérgio Machado para seu novo filme, Tudo que Aprendemos Juntos

Machado se baseou na comovente história de Baccarelli (nascido em 1931) para criar o protagonista do filme, Laertes. O cineasta nascido em Salvador, Bahia, em 1968, confessa ter tomado “algumas liberdades”. Tudo que Aprendemos Juntos será apresentado na Espanha neste mês de agosto, precedido pelo sucesso que teve nos festivais de Locarno, Suíça, e São Paulo, essa grande urbe brasileira no qual é ambientado. 

A história parte do momento na década de 1990 em que o jovem Laertes é rejeitado pela prestigiosa Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. 

“Ele era uma pessoa atemorizada, achando que nunca poderia dedicar-se à única coisa que conhecia, a música. O filme mostra como conseguiu mudar isso”, explica Machado. 

A evolução interna do professor, sua capacidade de superar o medo e o que aprende com a criação da orquestra juvenil são os eixos da história, assim como as mudanças que sua ação provoca na comunidade, diz o diretor. 

Mas essa história terna e emotiva, que lembra às vezes A Voz do Coração e Billy Elliot, mostra também a dura vida nas favelas brasileiras, que Laertes tentará melhorar com o poder transformador da música e com o forte vínculo que o une a seus alunos.

Uma das liberdades tomadas por Machado em Tudo que Aprendemos Juntos  foi converter Baccarelli em um negro, interpretado pelo ator brasileiro Lázaro Ramos, muito popular no Brasil, que é ainda apresentador, cineasta e autor de livros infantis. 

O diretor conversou muitas vezes não só com o professor e sacerdote - que se emocionou ao ver sua história na telona -, mas com alguns dos pouco mais de 20 membros da primeira geração da Orquestra Baccarelli. 

“Foi muito importante o contato com Graciela - uma das garotas da orquestra -, filha de um traficante de Heliópolis. Depois de uma vida muito difícil, Graciela se tornou uma importante violista”, diz Machado.

Hoje, segundo o diretor, muitos jovens de Heliópolis são músicos profissionais graças à formação recebida na orquestra do Instituto Baccarelli, que, além de ter atuado no festival Rock in Rio e dividido o palco com “os melhores músicos do mundo”, fez um recital para o papa Bento XVI em 2014. 

Pensando nos Jogos Olímpicos no Rio, Sérgio Machado diz que para ele é um mistério se seu país vai superar ou não essa prova: “A população está muito mais preocupada com a situação política e não sei o que acontecerá”, diz ele. 

“Até agora ninguém dedicou muita atenção aos Jogos porque, no momento, tudo está centralizado nos problemas econômicos e políticos”, assegura esse brasileiro que, afirma, se deu conta, como os compatriotas, de que o Congresso de seu país é ainda mais corrupto do que se acreditava. 

Machado, no entanto, não perde a esperança de que as coisas vão melhorar e de que o Brasil se empenhe mais nesse sentido quando terminar o grande espetáculo esportivo, como ocorreu quando houve o Mundial de futebol há dois anos. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

 

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