'Amy', 'A Colina Escarlate' e 'Operações Especiais' estão entre as estreias da semana

'Amy', 'A Colina Escarlate' e 'Operações Especiais' estão entre as estreias da semana

É a última quinta-feira antes da Mostra de São Paulo (de 22/10 a 4/11) e é bom você se aligeirar vendo as boas estreias da semana e os filmes que ainda estão em cartaz (e você não viu). A partir da próxima quinta-feira, 22, serão centenas de novos programas. As estreias da semana são diferenciadas, e boas. O romantismo mórbido de Guillermo Del Toro, o romantismo mais light de Peter Bogdanovich e, claro, Clero Pires que pega em armas contra a corrupção da polícia em, Operações Especiais.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 17h00

Amy, de Asif Kapadia. Inglaterra, 2015.

Autor do belíssimo documentário sobre Ayrton Senna, o diretor Kapadia acerta de novo e ainda refaz a parceria com o compositor Antônio Pinto. Todo o final do filme, a parte mais sombria, não seria o mesmo sem a trilha do brasileiro. O filme usa imagens raras para traçar o retrato da artista quando jovem. E para mostrar como Amy Winehouse foi destruída pela fama. Ela era uma garota simples que só queria cantar. Não estava preparada para enfrentar o turbilhão em que sua vida se transformou. O pai não lhe foi de muita ajuda e até tem sua responsabilidade na tragédia da filha, você vai ver.

A Colina Escarlate, de Guillermo Del Toro. EUA, 2015.

O diretor de O Labirinto do Fauno revira o baú de suias obsessões cinematográficas e literárias e propõe a seu público um fascinante mergulho no gótico (norte-)americano. A aspirante a escritora Edith Cushing - e o nome revela uma dupla homenagem, a Edith Wharton e a Peter Cushing - se envolve com aristocrata falido que a leva para mansão decadente. E a heroína descobre que os fantasmas, sobre os quais gosta de escrever, existem sim, mas são menos perigosos que os vivos. Mia Wasikowska, Jessica Chatain e Tom Hiddleston formam um triângulo e o romantismo mórbido de Del Toro evoca Tarde Demais/A Herdeira, O Morro dos Ventos Uivantes, Rebecca a Mulher Inesquecível e o Solar de Dragonwyck - tudo com a pegada sádioca e violenta de Brian De Palma. Um filmaço.

Operações Especiais, de Tomas Portela. Brasil, 2015.

Cleo Pires faz agente que presta concurso, é aprovada - e precisa se afirmar no meio machista e violento da polícia. Mais do que sua trajetória, o filme reflete sobre como é difícil ser policial honesto no Brasil. Para o diretor Portela, o filme representa uma mudança de tom. Com a própria Cleo, ele havia feito Qualquer Gato Vira-Lata, o 1, que estourou na bilheteria. Operações é eficiente como thriller, e válido como reflexão crítica. O elenco traz também Marcos Caruso, Tiago Martins e Fabrício Boliveira, que tem uma tórrida cena de sexo com Cleo. Operações estreia em 312 salas. Não é blockbuster, mas é bem decente e, por suas qualidades, pode ajudar a mostrar que nem só de comédias vive o cinema brasileiro. Basta você engrossar a estatística do público que vai vê-lo.

Um Amor a Cada Esquina, de Peter Bogdanovich. EUA, 2015.

Os últimos 20 anos foram difíceis para Bogdanovich, que terminou trabalhando mais para TV, inclusive como ator (Os Sopranos), que para cinema. Ele tenta recomeçar com uma comédia que andou sendo elogiada pelo frescor dos diálogos e das interpretações. Imogeen Potts faz garota de programa que sonha ser atriz. Sua vida muda quando ela é contratada para acompanhar o diretor Owen Wilson. Não há como não ver na situação retratada no filme ecos do que Bogdanovich viveu na realidade. Sua carreira entrou em parafuso quando ele se envolveu com a playmate Dorothy Stratten e ela foi morta num surto psicótico do marido ciumento. Só para lembrar. Bogdanovich fez parte da geração conhecida como 'Nova Hollywood', ou movie brats. Contemporâneo de Martin Scorsese, Brian De Palma, Steven Spielberg etc, consagrou-se com Na Mira da Morte/Targets e A Última Sessão de Cinema. Admirador dos clássicos (John Ford, Howard Hawks), dizia que todos os bons filmes já haviam sido feitos e, depois, tentava provar que isso não é verdade. Muitas vezes conseguiu. Conseguirá, de novo? Do elenco participa Cybill Shepherd, que foi o grande amor do diretor no começo dos anos 1970, antes da fase com Dorothy. Ela fazia o seriado de TV A Gata e o Rato, também com Bruce Willis.

Música, Amigos e Festa, de Max Joseph. EUA, 2015.

Zac Effron como o público dele gosta - no papel do bofinho sarado e sensível. Ele sonha fazer carreira como DJ, enquanto os amigos, ao redor, só querem farrear. O título original, We Are Your Friends - Nós Somos Seus Amigos -, remete ao remix que o duo francês Justice fez do single da banda inglesa Simian.

Amor, Drogas e Nova York, de Ben Safdie e Josh Safdie. EUA, 2014.

Exibido como Só Deus Sabe no Festival do Rio do ano passado, o longa dos irmãos Safdie é sobre dupla de junkies que sobrevive em Nova York gravitando em torno de outros viciados. Tem gente que jura que a dupla de diretores consegue reproduzir a intensidade dos conflitos (e interpretações) nos filmes do lendário John Cassavetes, Vai encarar? Arielle Holmes e Caleb Landry Jones formam o casal.

Parceiras Eternas, de Susanna Fogel. EUA, 2015.

Um tema atual e bem interessante. Gillian Jacobs e Leighton Meester são as amigas do título, e a segunda é lésbica. Em solidariedade, Gillian promete só se casar quando Leighton tiver os mesmos direitos legais que ela. A decisão e a própria amizade serão colocadas à prova quando surge Adam Brody e Gillian fica doidinha para se casar. Do elenco participa Gabourey Sidibe de Precious - Uma História de Esperança, de Lee Daniels.

  

 

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