Longa carreira para os curtas em cinema sem fronteiras

Uma sessão de cinema para se ver um filme checo, um húngaro, um italiano, um coreano e um alemão. Sem censura. Este é o Programa Anual Sem Fronteiras - Annual Program Without Frontiers, uma sessão especial para curtas de todo o mundo é uma das atrações do 22.º Festival de Cinema de Mar del Plata, o mais importante da América Latina, que termina neste sábado, 17, na cidade da costa argentina. Com exceção de festivais dedicados somente a eles, os curtas geralmente são relegados ao segundo plano quando o assunto são grandes eventos de cinema. Em Mar del Plata, estes contos cinematográficos ganham uma janela de prestígio. O programa, dirigido pelo cineasta argentino Carlos Martínez, que vive em Los Angeles e é um dos jurados de Mar del Plata, premia o Melhor Curta do festival e o inclui na Seleção Oficial do Festival de Curtas de São Francisco, um dos mais prestigiados do mundo, que ocorre em junho. ?Além disso, divulgamos mundialmente os filmes em festivais por todos os continentes. No ano passado, o curta premiado aqui foi o El Regalo de Zapura, de Cristóbal Braun Mesples, que não por acaso acabou sendo o melhor filme do Festival de São Francisco?, conta Martínez. Lotação esgotada As sessões dos curtas selecionados para Mar del Plata tem tido lotação máxima e palmas acaloradas. Um dos destaques é o belíssimo Un Paio Di Occhiali, de Carlo Damasco. Neste pequeno poema visual em branco-e-preto, o diretor conta a história de Annarella, uma garotinha da caótica Nápoles que aguarda impaciente seu par de óculos. Quase cega, ela sempre viu um mundo suave e mágico. Mas tudo isso muda quando ela passa a enxergar a verdadeira realidade dos cortiços napolitanos que a cerca. Já o coreano Tell Me About It, de Jung Seungil, mescla elementos como tango e as cores fortes do cinema oriental para contar a história de um desamor. O programa, que começou há alguns anos com curtas que não encontravam as tão cobiçadas telas para serem exibidos, hoje já conta com mais de mil produções de todo o mundo. ?No ínicio, como o projeto nasceu em Los Angeles, havia muito mais filmes americanos, mas hoje já temos diretores de continentes como a Ásia e a América Latina?, contou Martínez. Para fazer parte do Sem Fronteiras, não é preciso se adequar em nenhum formato. Valem curtas realizados em película 35mm, 16mm, digital. ?Vale tudo. O necessário é que sejam bons filmes. Além de serem exibidos, o importante é que os diretores entrem em contato com seus colegas de outros países. Este diálogo é crucial. E a internet é o veículo principal que une realizadores e público também?, completa Martínez que pretende, muito em breve, introduzir o programa no Brasil. ?Já estamos recebendo vários, e ótimos, curtas do Brasil. Mas a participação brasileira, e mesmo a da América do Sul, ainda é pequena. É por isso que estamos aqui em Mar del Plata. E por isso que queremos participar em breve de festivais como os de São Paulo.? Por isso, curta-metragistas e público brasileiros já podem se preparar. E também se inscrever no programa. ?Basta entrar no nosso site oficial ou escrever para film@festivalinfo.org?, completa Martínez.

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