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Longa brasileiro integra a seleção do Festival de Sundance

'Que horas ela volta?', dirigido por Anna Muylaert e com Regina Casé no elenco, concorre ao prêmio principal

Piya Sinha-Roy, Reuters

23 Janeiro 2015 | 11h22

O festival anual de cinema de Sundance, realizado em Utah, oeste dos Estados Unidos, até o dia 1º de fevereiro, é reconhecido por sua tradicional seleção de filmes independentes - entre eles um brasileiro, Que horas ela volta?, dirigido por Anna Muylaert.

Ao lado de outros 12 títulos estrangeiros, o filme brasileiro concorre ao principal prêmio de Sundance. Estrelada por Regina Casé, a película narra a história de uma mãe que deixa a filha no interior de Pernambuco para trabalhar como babá em São Paulo. O filme ainda não estreou no Brasil.

Que horas ela volta? é um dos 200 títulos que serão exibidos até 1º de fevereiro no renomado evento, conhecido por dar lugar a estreias que, um ano depois, acabam recebendo atenção durante a temporada de prêmios de Hollywood.

Boyhood e Whiplash, ganhadores do Globo de Ouro este mês e fortes candidatos ao Oscar em fevereiro, estrearam em Sundance há 12 meses.

O festival de Sundance foi criado em 1978 pelo ator Robert Redford, de 78 anos, que costuma abrir o evento em uma coletiva de imprensa.

Este ano, Redford estará nas telonas do festival com o filme A Walk in the Woods, baseada no livro homônimo do escritor de relatos de viagens Bill Bryson. 

Realidade virtual. Seja colocando os espectadores na tenda de uma tribo mongol, no estúdio com um músico ou na rota de um trem, os cineastas estão eliminando as fronteiras da realidade para os fãs da sétima arte no Festival de Cinema de Sundance deste ano.

O reduto de filmes independentes na cidade de Park City, no Estado norte-americano de Utah, está dedicando sua mostra Nova Fronteira a produções que empregam a realidade virtual. São 11 trabalhos, o maior número de participantes dessa categoria nas três décadas de história do festival.

Os filmes são vistos com um equipamento audiovisual que lembra um capacete e projeta um panorama de 360 graus, dando aos espectadores a sensação de serem parte da ação.

Mas os filmes que usam a realidade virtual estão muito longe de se tornar a norma, já que os equipamentos que os projetam ainda não chegaram ao mercado de massa.

No mês passado a Samsung começou a comercializar seu modelo Galaxy Gear VR, que utiliza seu smartphone Galaxy Note 4 para exibir os conteúdos de realidade virtual. A Google oferece o dispositivo Cardboard VR para ser usado com smartphones.

A versão para o consumidor dos dispositivos pioneiros Rift, da Oculus VR, propriedade do Facebook, ainda está sendo desenvolvida.

A exibição Nova Fronteira chega em um momento de interesse crescente nessa tecnologia em Hollywood, já que cineastas e estúdios estão fazendo experimentos com a realidade virtual.

"O cinema não era nosso foco no começo, mas agora está se tornando um foco maior, então precisamos nos envolver e apoiar imediatamente", afirmou Brendan Iribe, executivo-chefe da Oculus.

O atrativo da realidade virtual para os cineastas está na simulação da presença física dos espectadores, que até hoje só interagiram com o conteúdo como observadores que assistem uma história se desenrolar na tela.

Em Herders, um curta-metragem do duo de cineastas Felix & Paul, o espectador é colocado dentro de um yurt, a tenda típica de uma família mongol, e em Strangers: A Moment with Patrick Wilson, o espectador se senta ao lado de um músico trabalhando em um estúdio.

Os filmes de não-ficção estão se mostrando uma grande aposta para a realidade virtual, declarou Felix Lajeunesse, já que os cineastas podem mergulhar as plateias na ação e fazê-las se identificar com a história.

"A realidade se torna imensamente interessante na realidade virtual. Você não precisa necessariamente mudá-la ou reencená-la ou transformá-la tanto", disse Lajeunesse.

O cineasta Chris Milk se juntou ao canal Vice News para documentar a Marcha dos Milhões em Nova York em dezembro com a realidade virtual, usando uma câmera de 360 graus para filmar no meio dos manifestantes que marchavam por Manhattan para protestar contra a brutalidade policial.

"Como plateia, você entende imediatamente o que está acontecendo, você tem a perspectiva da câmera", explicou Milk.

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