Eric Gaillard/ Reuters
Eric Gaillard/ Reuters

Longa '120 Batimentos por Minuto' ganha prêmio da crítica em Cannes

'Em Direção à Luz', de Naomi Kawase, ficou com o prêmio ecumênico

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2017 | 13h11

CANNES - Ficou a impressão de que, como no Oscar, os envelopes foram trocados na premiação da crítica, no sábado 27, no 70º Festival de Cannes. O prêmio ecumêmico foi para o belo e complexo filme da japonesa Naomi Kawase, Em Direção à Luz. O da Fipresci, Federasçãso Internacionsal das Imprensa Cinematográficas, para o emocionante e comparativamente mais simples 120 Batimentos por Minuto, do francês Robin Campillo. O primeiro, um filme sobre a audiodescrição, como ferramentas para discutir o estado do cinema e do mundo. Deficientes visuais - e, no cinema, onde a indústria faz filmes para os olhos, mas não, necessariamente, para o olhar? O outro, um filme militante, de luta - mas também de amor -, sobre o começo da aids. O combate aos laboratórios, ao governo do socialista François Mittérrand, que se recusa a encarar a extensão da crise da saúde.

Havia filmes mais ousados para premiar - o da Kawase, o do russo Andrey Zvyagintsev, Nelyubob/Falta de Amor. Quando a crítica segue o caminho mais fácil - quem vai ser contra um filme coral sobre a aids? -, caberá ao júri presidido por Pedro Almodóvar restabelecer (se o fizer) o vigor estético e político. 

Também no sábado, como costuma fazer há anos, o jornal Le Figaro divulgou seu Palmarès. A Palma de Ouro dos críticos do Figaro foi para The Square, do sueco Ruben Ostland. Considerado o enfant terrible do (novo) cinema sueco, ele parece um jovem Michael Haneke. Conta a história do curador de um importante museu de arte. O título refere-se a uma instalação que o meu apresenta e que, justamente, visa discutir conceitos como o altruismo e a responsabilidade. Mas, como nos filmes do austríaco Haneke, é uma correção de fachada. Quando seu telefone é roubado, reage como um troglodita.

Figaro deu seus prêmios de melhor ator e atriz para Louis Garrel, o Jean-Luc Godard de Michel Hazanavicius em Le Redoutable - que o jornal rebatiza como 'insuportável' (e Godard, como personagem, é) e Maryana Spivak, pelo drama do russo Zvyagintsev. Só para lembrar, é o diretor de Leviathan, que fez sensação há três anos. O prêmio do júri do jornal foi para 120 Batimentos

Para encerrar essa (pré)premiação - a Palma sai no domingo à noite -, o júri da Fipresci justificou seu troféi para Campillo. "Um filme sobre o amor. Sobre a vida. Sobre a vida mais forte que a morte. Um filme de esperança." 120 Batimentos tem suas qualidades. É bom, mas não aponta caminhos, como outros filmes premiados pela crítica apontaram antes.


 

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